domingo, 1 de junho de 2014

#4HappyMonths

Estar diante de 40 crianças/adolescentes (principalmente no último caso) pela primeira vez não é algo fácil! Ver que 40 pares de olhos estão de bituca em você sem saber o que passa pela cabeça daquelas enigmáticas criaturas é uma sensação de assustar.

Por diversas vezes já estive nessa situação. Já houveram casos em que olhares de fuzilamento me fuzilaram o ano todo, já houveram casos em que olhares de "você chegou no lugar do meu professor querido" se tornaram olhares de lágrimas soluçadas quando eu fui embora.

Ir embora, outro fenômeno a ser estudado na relação professor/aluno. Na normalidade se tem a certeza de que por um ano você vai ter aquela pessoa toda semana ali. Se gostar dela, toda semana um encontro bom, se não for com a cara, toda semana uma encheção de saco. De toda forma cria-se uma rotina e se tem algo que as vezes é difícil se ter na rotina de um professor é o reconhecimento de seu trabalho. Normal até, já que por vezes estamos ensinando algo que para quem não quer e ainda temos de tentar manter certa ordem, por outras vezes ainda aplicando medidas disciplinares. Mas faz falta, isso faz.

No primeiro semestre deste dito ano de 2014 tive algumas boas experiências que me ajudaram a pensar e repensar minha prática docente. Uma delas, para lembrá-la e registrá-la aqui (não poderia não fazê-lo) foi minha breve estadia no Mário Schenberg. Tendo apenas 2 turmas (já tendo todas as turmas da escola) por onde eu passava ouvia o carinhoso vozerio "ó o André", "volta fessor"! Coisas muito boas de se ouvir, pena que no caso de alguns eu tive realmente que ir para que fosse querido de volta. Quando finalmente deixei a escola, fui aplaudido nas salas em que passei pra me despedir, isso me deixou muito envaidecido e certo de que apesar das adversidades da carreira docente eu estava trilhando um caminho certo. Deixo aqui um grande abraço a todos meus alunos do Schenbergão! E com certeza um abraço maior ainda aos amigos que fiz lá, dentre os quais Gadelha, Rosimeire, os irmãos Geovane e Yury e os grandes professores com quem tive prazer de trabalhar.

Agora chegando aonde se queria chegar... Se deixei uma escola, em alguma outra devo estar chegando, essa outra foi a Escola da Polícia Militar do Ceará! Poxa, escola militar, primeira brincadeira que ouvi nas despedidas foi "não podemos dizer mais nem que nos vemos nas greves da vida", sinais de que as coisas seriam bem diferentes! #medo

Penei, penei muito pra me adequar ao ritmo da CPM e principalmente a me acostumar com o fato de ter superiores militares. Isso foi realmente algo novo pra mim e não saber exatamente o que era esperado de mim, passei um período de grande estresse pessoal, refletindo até na saúde pra tentar encontrar meu lugar por lá. Claro que a parte em que eu recebo as recomendações básicas e as normas das escolas aconteceu e claro também que dentro dessas recomendações, a disciplina era algo muito importante. 

Acima de tudo sendo eu, no começo fui um tanto duro em certos casos, hoje poderia repensar um pouco mas não faria muita coisa diferente. O desafio maior ainda eram os olhares atentos a minha pessoa, principalmente quando semana após semana os olhares ficavam mais enigmáticos. Nunca fui professor "showman", até admiro quem consegue ser, mas acho que a educação merece mais, sempre fui mais quieto pois sou assim, sou eu, "se eu fosse um cara diferente, sabe lá como eu seria". Essa característica fazia com que começassem a aparecer as primeiras cabeças baixando e dormindo, as primeiras "viradas pra trás" pra conversar e (ainda bem) os primeiros olhares atentos. Comecei a ver quem curtia minhas aulas, mas ainda assim eu tenho que dar conta de 40, não de 4 (proporção meramente figurativa). 

Acho que muitos alunos e igualmente alguns coordenadores pelos quais já passei devem me achar besta. Os coordenadores por achar que eu sou bonzinho demais e os alunos não me respeitam e os alunos, bom, os alunos pelo mesmo motivo. Mas como comentei um pouco acima sou eu, não sei ensaiar ser um professor diferente e adotar uma atitude em sala de aula que não condiz com a pessoa que eu sou na realidade. Novamente, se pros 36 sou besta, pros 4 que conseguem captar a ideia fica uma relação que dura, tanto que milhares de anos depois, alguns alunos ainda me vem no Facebook tirar dúvidas ou pedir conselhos sobre as coisas da faculdade. Ponto pra mim.

De toda forma os sinais estão no ar e é preciso perspicácia para sintonizá-los, geralmente eles surgem quando e como menos se espera. O primeiro sinal que recebi veio no fato de não terem ligado o ar-condicionado de uma sala de aula, o 3ºB. Era um dia de chuva e estava meio abafado, quando pedi ao Bentemuller que chamasse alguém para ligar o ar da sala ele me deu o toque que o professor da sala vizinha havia chamado os alunos pra fora e perguntou se eu não gostara de fazer o mesmo. Dei uma olhada na porta e realmente lá estavam professor e alunos no corredor. O primeiro pensamento foi "vixe, e agora?" De toda forma eu tinha alguém pra culpar, era só o novato (eu) dizer que vi o professor veterano fazer e achei que também podia. Apesar de alguns olhares "estranhativos" para os alunos e professores no corredor, terminei de ministrar a aula de filosofia la com um ótimo clima de chuva.

O melhor veio depois, vi no Face da Rebeca uma foto tirada durante a aula em que tinha entrado para uma série de #100happyDays dela. Foi o primeiro sinal! Desde então tive vontade de escrever algo a respeito, mas esperei o momento certo que apareceu agora. Como saber que é o momento certo? Não sei, apenas sei!


Outro fato que contribui para ajudar no processo de encontrar meu lugar foi o fato de 6 alunos (duas equipes) terem me convidado para orientá-los na Olimpíada Nacional de História do Brasil. Poxa, tantos professores que eles tem desde o fundamental (em alguns casos) e eu que cheguei agora estou recebendo esse convite! Muito lisonjeiro =) Aproveito o momento para registrar aqui a experiência boa que foi orientar a equipe "Que história é essa?" madrugadas a dentro via Skype (a outra equipe não conseguiu confirmar a inscrição)! Toin, Benter e Otto, realmente grandes garotos que além de inteligentes tem opinião própria e crítica! serão (já são) grandes pessoas! =)


Semana vai, semana vem, e de repente vejo piratas correndo nas dependências da escola! Era uma das badaladas NAs (avaliações) do grande mulato médio professor Daniel Azevedo (biologia). Começaram as comparações, começaram alguns comentários (direta ou indiretamente) que me faziam sentir diminuído,  e com a pressão do adequar-se a um colégio militar fez com que fosse o período mais difícil. A "pirataria" ajudou a abrir espaço pra puxar um assunto aqui acolá com o prof. Daniel, compartilhei algumas ideias que já tinha, porém guardadas ainda, sobre métodos inovadores de avaliação. Aproveito para deixar registrado aqui a admiração que tenho por suas ideias e sua dedicação, Daniel. Com certeza muitos professores tem a aprender com suas práticas! =)

O segundo sinal, então veio no 3ºE. Durante uma aula de filosofia também, um aluno pediu a palavra para ensinar o tema da aula para turma Eis que o Gurgel senta na mesa e começa a falar e cai nas graças da turma. Foi ai que eu pensei: quer saber vou jogar a bola pra eles. Comecei então a propor mais atividades de interação e de maior protagonismo dessas crianças! Ainda a passos lentos mas o negócio começou a mudar, até que então veio a NA das tribos, avaliação que fiz apenas no 3º D e E por serem os dois terceiros que dou aulas de sociologia. Geral das minhas outras turmas do médio chegaram meio que enciumadas dizendo que eu só passava NA legal no D e no E, rsrsrs. Foi ai que eu vi os primeiros daqueles olhares mais enigmáticos e daqueles rostos mais fechados chegarem demonstrando um semblante mais amistoso. 

aula do Gurgel


tribos 3ºE

tribos 3ºD
Agora sim, a partir daí as coisas começaram a mudar. Não sei explicar muito bem, mas era recíproco, daqui pra lá e de lá pra cá as atitudes iam mudando. Foi nessa época que ganhei mais turmas no fundamental, por ter saído do Mário Schenberg e ter concentrado minha carga horária toda na Polícia. Os novos alunos de cara falavam que gostaram de mim, por que eu não cheguei antes, porque eu não ensinava mais matérias como nos terceiros (que chego a ter até 3 disciplinas por turma) e os colegas das salas vizinhas chegando pra comentar por que eu também não fui ensinar na sala deles! Muito, muuuito lisonjeiro também, porém há o outro lado de um professor que por motivo X ou Y não está sendo bem aceito pela turma e isso não é legal =/. Agradeço imensamente o carinho, mas desejaria ser possível não haver tais comparações onde um é apreciado enquanto outro é depreciado. Daí lembro do reconhecimento, que é raro em grande parte do ofício do professor. Independente do jeito de cada um ensinar, ou ser, cada professor (dentre os bons profissionais que conheci) prepara sua aula com bastante atenção e dedicação ao seu aluno!

Vieram também as "disputas da discórdia" com um velho conhecido jogo da minha infância e da dos alunos, o telefone sem fio, que ajudou a fazer sorrir mais rostos que ainda resistiam. Mais uma vez, jogando a bola para os alunos, deixando com que eles se expressassem mais livremente o retorno foi melhor! As apresentações de mais NAs dando asas a criatividade foram ÓTIMAS! Teatro de dedoches, casos de família, CSI, The Voice Brasil, Todo Mundo Odeia o Chris, Dragon Ball Z, Chaves, Mulheres de Areia, Hermanoteu na terra de Godah, Avenida Brasil, Como conheci (entorpeci) sua mãe, De Frente com Gabi e tantas outras apresentações proporcionaram um ótimo clima em sala e memórias afetivas que, com certeza, ajudarão na apreensão do conteúdo. Até meu lado feminino foi despertado, agora tenho um codinome no submundo da filosofia: Alethéia, prazer =* !

No entanto deixo uma ressalva, disciplina e liberdade, brincadeira e seriedade, contrastes tênues que exigem um equilíbrio difícil de se alcançar. Tive excelentes resultados de alunos que, confesso, talvez nem esperasse tanto, mas o nem esperar tanto vem de uma impressão do dia a dia, da rotina. O estudo é uma batalha que deve ser vencida nesses dois campos de guerra: um deles é mais fácil que é quando temos momentos como os que vivemos nesse final de maio, o outro, mais difícil é o dia a dia. Participem! Quem faz a aula melhor são vocês, não eu!

Termino lembrando de quem não falei muito, os pequenos, ELÉTRICOS, e carinhosos do 6ºC e os novos chegados dos 7ºs e 8ºs. É um desafio muito bom ensinar vocês! =)

A txurminha agitaaaaada, porém cheia de gente boa, 1ºC. =)

E os querid@s do 2ºD que fecham sempre minha semana com chave de ouro, turma que está no TOP das minhas turmas do CPM =), destacando aqui nossa sonoplasta oficial, Rizia, e as meninas super poderosas que se garantem, Rebeca, Thayanne, Kauane, Kalyne, Clayde, Amanda, os garotos Gibson, Felipe, TODOS, vou nem mais citar pois não quero deixar ninguém de fora. Gosto muito de vocês 2ºD.

Se me prendi um tanto mais aos terceiros é porque foi um grande desafio aceito ser professor dessa galera, algumas turmas foi mais "amor a primeira vista" =P.

Tanto falei, tanto ficou pro falar, tanto ficará pra se viver pra falarmos mais e mais nos dias que se seguirão quando tudo isso acabar! Até lá estamos juntos! E eu começo a contar meus dias no CPMGEF, por enquanto #4HappyMonths e que venham mais!

=)

Sabrina 1ºC que já vai alçando outros vôos! Boa sorte! =)

2ºD =)

Meninas Superpoderosas 2ºD

Dragon Ball A

Queridos do 3ºB

Queridos do 3ºC

Isabelle 3ºC =)

3ºC

3ºC

3ºC - "alegria compartilhada é alegria redobrada" (Suyanne)

3ºD Divas da Filosofia

3ºE Telefone sem fio da discórdia 

Alethéia desfilando na escola

as mães da Alethéia =)


domingo, 6 de outubro de 2013

O tempo de uma música

Em 2007 comecei a compor em ritmo de produção industrial com o amigo Augusto Ridson. A parceria começou com a letra de "Casa dos Espelhos" e desde esta música algumas frases, trechos de letras que o Ridson me mandava que eu mesmo não compreendia, ou buscava algum significado mais claro. Não que fosse algo nonsense, mas nem sempre tudo o que se escreve precisa de explicação mesmo. Nessas horas eu pensava com o guru Gessinger, não precisamos saber pra onde vamos, viver nem sempre faz sentido, etc... então que mal faz uma frase que à primeira vista não tem um sentido claro, mas que traga uma boa rima?!

Uma dessas canções chama-se "Revista em Quadrinhos", composta em janeiro de 2007, ou seja, uma das primeiras que compomos, pra ser mais exato, a segunda. Na época certas coisas que cantávamos faziam mais sentido pra nossas mentes juvenis e revolucionárias e não medíamos esforços para criticar coisas e defender pontos de vista. Na época certas coisas que constam na letra dessa canção eram reais, assim como são hoje, só que, diferente de hoje, não haviam tantas manifestações concretas. Não é querendo ser mais que sou, nem querendo me gabar, mas... Sabe quando falamos de uma música da banda preferida? "Ah, aquela canção é tão atual até hoje", "ah, fulano é profético, um messiânico"... 

Sexta feira retomei a tal revista em quadrinhos e não é que sua história realmente nunca muda! Fiz o vídeo da música para o Tocando em Frente e prestando atenção na letra percebi como minha música também se tornara atemporal, podendo ser considerada atual independente da época em que foi escrita. Abaixo seguem alguns trechos aos quais me ative mais nesta releitura:

1.
Histérico demais / Copa do mundo, o mundo em guerra
Difícil demais é defender nossas terras
Absurdos felizes / Infeliz coincidência
Intelectuais que coincidem em pseudo-inteligência

Na época em que fizemos a música não rolava esse clima frenético "tudo pela copa, tudo pra copa, a copa é tudo na vida" que existe hoje. Quem sabe copa do mundo estivesse na letra só pra articular a palavra mundo (de copa do mundo) com mundo (de o mundo em guerra). Hoje, quanta guerra já não tivemos, por conta da tal copa? Manifestações, balas de borracha, gás de pimenta, bombas, remoções de moradores, coação por parte do governador, corrupção, enfim...

Defender nossas terras talvez remetesse a algo até mais pro lado histórico, quem sabe até os próprios índios que não conseguiram defender seu território perante a ameaça portuguesa. Essa foi a primeira coisa que me veio a mente quando vi a letra pela primeira vez. Hoje, é tão difícil defender uma terra já tão acoada em meio a tanto concreto e asfalto, tipo o Cocó... coincidentemente, eu fazia o vídeo sexta-feira enquanto acontecia a desocupação dos manifestantes em defesa do parque contra os viadutos.

Cá entre nós, não entendo muito de engenharia de trânsito, mas basta passar pelos engarrafamentos dos viadutos do Cambeba, da 13 de maio, da Alberto Craveiro e outros viadutos que passam por cima da BR e ver que eles não estão com essa bola toda e não são nem de perto, por si só, a solução para o trânsito.

2.
Sexo demais nas capas de revista
Violência demais estampada nas notícias
TV manipulada que manipula nossas mentes
Mentalidade censurada e a juventude demente

Sexo demais hoje em dia não só nas capas de revista... pra onde se olhe na TV e nas "músicas"(?) populares encontramos uma overdose de bundas e outras coisas que não falo por ser este um blog de família.

Violência demais estampada nas notícias... CE TV hoje em dia tá pior que o Barra Pesada de quando eu tinha 10 anos de idade. Semana passada bateu o recorde: TODOS os dias (sem exagero) de quinta-feira (26/09) a segunda-feira (30/09) pelo menos duas pessoas que eu conheço ou que são mais próximas foram vítimas diretas da violência que toma conta de Fortaleza. Se não tivesse cuidado ia cair numa noia de me isolar do mundo...

TV manipulada nem falo, já sabemos (sabemos, né?)... ela não merece mais audiência do que já tem!

Mentalidade censurada é uma expressão que a compreendo mas não sei exatamente explicar. Quem sabe cada pessoa encontre as respostas que busca para ela. Lembro-me do amigo Valério que me perguntava sempre a que nos referíamos com esta expressão.

Juventude demente... infelizmente, até por ser professor, lido com cada jovem hoje em dia que, juntando 10, não dá 1... infelizmente...

3. Não deixe a vida passar em branco, ainda temos tantos planos!

Essa não precisa falar, fica a dica! Boa semana a todos!

domingo, 29 de setembro de 2013

Em um universo paralelo próximo a você...


... Francisco João Bruno Alexandre, típico cidadão da high society Fortalezense, daqueles de berço mesmo que trazem consigo o nome da família a gerações e gerações, estava a caminho da empresa em que era subgerente-diretor-presidente ou qualquer outra coisa ou função que estivesse abaixo de seu pai. No caminho parou seu humilde fusca (New Beetle, claro) em um cruzamento da cidade famoso pelas abordagens aos motoristas. Logo começou a pensar e destilar comentários ácidos em sua solidão ar-condicionada.

Sua indignação é por um lado compreensível, afinal de contas motoristas de qualquer classe social dirigem por toda a cidade e por toda a cidade dirigem com medo! A violência urbana está um caso sério. Aos poucos, dentre os minutos que demoram meia hora para passar sem o semáforo esverdear, sua revolta começa a dar lugar a um pensamento um pouco mais nobre e Francisco João Bruno Alexandre começa a refletir sobre as desigualdades sociais que (o permitem estar aonde está) tornam possível a necessidade das pessoas que se obrigam a trabalhar e se humilhar nos sinais de Fortaleza com o sol de rachar o inferno em três que temos em nossa cidade.

E continua o pensamento refletindo que trabalhar em um sinal por si só não é tão humilhante, o humilhante é ter que se virar em 30, "sangue, suor e óleo diesel", "a lágrima doída do ídolo caindo em câmera lenta". Geralmente são médicos e advogados que se submetem a estas condições abordando motoristas nos sinais ou fazendo amostras de suas habilidades. Por vezes equipes médicas inteiras com o desafio de montar a maca e os aparelhos de um centro cirúrgico, fazer um procedimento de alta complexidade no indivíduo que pela sorte no palitinho ficou encarregado do papel de paciente, desmontar tudo, mostrar o cara "costurado" e ainda sair entre as filas de carro pra ver quem arrecada alguma moedinha e tudo isso enquanto o sinal não abre. Admirável a habilidade que eles acabam adquirindo, mas onde fica a dignidade, não digo nem destes profissionais, mas digo destas pessoas... lamentável o que a pessoa é obrigada a fazer por conta da necessidade...

Pior é a situação dos advogados, pois estes são os que chegam bem perto de você, te forçando a fechar os vidros. Eles vem desesperados pra defender sua causa sem nem saber qual é, e diante de tantos dedos balançando negativamente pra eles antes ainda deles fazerem a abordagem eles acabam até fazendo com que você aceite alguns conselhos jurídicos na marra. Eles usam uma lógica do tipo "cartão de fidelidade", você leva o conselho agora e na próxima passada pelo local dá uma moedinha. Pelo menos acreditam na eficácia do trabalho deles, pois difícil é receber a moedinha na volta.

Opa, o sinal abriu! Nosso personagem vai ter que seguir viagem. Enquanto ele pisa na embreagem e engata a primeira ele pensa: coitados, que Deus dê a eles uma vida de artista!

domingo, 22 de setembro de 2013

Mundo globalizado

Tenho a curiosidade de sempre estar conferindo as estatísticas de acesso, origem e perfil do público do blog e da página do Tocando em Frente. Aqui no blog sempre me chamou a atenção o fato de acessos internacionais, desde o início do blog, passaram por aqui internautas dos seguintes países além do Brasil: Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Ucrânia, França, Israel, Hungria, Chile e Portugal. E não é coisa de uma visitinha perdida na vida, da Alemanha, por exemplo, tenho 96 acessos e dos EUA, 466. Já demonstrei aqui em outras postagens o quanto tenho curiosidade pra saber quem são as pessoas que movem os contadores, em se tratando então destes visitantes estrangeiros que (aparentemente) sempre retornam, a curiosidade dobra. Coisas de um mundo globalizado...

Revendo as estatísticas essa semana, me ocorreu um pensamento. Domingo passado consegui depois de mais de dez anos ter de volta o CD Tchau Radar, dos Engenheiros, completando novamente minha coleção. Resumindo rapidamente como perdi o primeiro, numa época em que eu era um bom moço de comunidade católica, deixei todos os meus CDs pra uma prima, ela vendeu; depois que deixei de ser de comunidade (pois bom moço ainda sou, haha) consegui comprar todos, menos o tchau radar que saiu rapidinho de catálogo. Consegui comprar o novo CD por intermédio da mesma prima. O preço foi o preço de uma raridade, mas estava comprando com uma pessoa de confiança e vi que o CD estava em perfeito estado de conservação, tipo os meus se, por um momento de muita insanidade eu os vendesse, o comprador iria receber produtos que poderia considerar novos. Fiquei pensando então por que mãos (ou mão) cuidadosas (ou cuidadosa) meu novo Tchau Radar passou antes de chegar a mim, certamente passou por algum fã de fé que tinha dois e resolveu pegar uma grana no CD aproveitando seu estado de raridade.

Enfim, a ideia que me ocorreu foi a de tentar descobrir os caminhos que meus CDs Tchau Radar, o primeiro e o atual, percorreram, aproveitando a abrangência que só a internet deste nosso mundo globalizado proporciona. Sempre tive a curiosidade de saber aonde foi parar meu primeiro TR, comprado por R$ 15,00 em uma revista da Avon. Se esta postagem for compartilhada, acessada pelos confins da www, quem sabe não aparece o feliz possuidor de um TR que um dia foi meu. A menos que o tenha vendido, suponho que a pessoa seja de Fortaleza mesmo. Dica pra identificar o CD: Em algum cantinho do encarte eu escrevi meu nome de caneta (pra quem não sabe: André).

A sorte esta lançada com maior probabilidade de encontrar o destinatário final que uma carta lançada ao oceano dentro de uma garrafa. "Mapas e bússolas, sorte e acaso. Quem sabe do que depende?"

com cara de besta curtindo o novo Tchau Radar domingo passado

domingo, 15 de setembro de 2013

Contramão



Com 25 anos "nos côro" tenho reparado que estou meio na contra-mão do ritmo de vida que a vida (moderna) impõe. Cheguei a esta conclusão (?) observando alguns amigos. Não que eles estejam errados e não que eu esteja errado, mas tem coisas que realmente paramos pra comparar.

Exemplo... Desde 1999, quando reunia uns primos nas tardes de sábado e ficávamos "brincando de Engenheiros do Hawaii" em casa ao som do Alívio Imediato ou do 10.000 Destinos que pensei em deixar o cabelo crescer pra imitar o Humberto. Decepção à vista, meu cabelo era enrolado e não ficaria nem de perto parecido com o do HG. Hoje, enquanto alguns dos meus amigos cabeludos estão cortando os cabelos, estou caminhando para completar um ano sem cortar, assumindo os cachos que Deus me deu e já estranhando fotos com o cabelo curto.

Dizem que quando se casa engorda, no meu caso estou emagrecendo.

Mas o que mais me faz pensar é a vontade de fazer algo com minhas músicas. Banda autoral é coisa que cheira a adolescente e hoje quando a vida pede outros planos eu estou embarcando nessa. Já tive uma, a WAR, já falei dela por aqui. Hoje não tenho banda que "trabalhe" com músicas próprias apesar de já ter sido convidado pra algumas, recusei pois se tenho que me dedicar a algo de alguém, posso me dedicar a algo meu. Esse é outro ponto que me faz pensar se estou ou não na contramão. Encontrar pessoas que comprem a tua ideia, que estejam sintonizadas na mesma frequência que você e topem dar prosseguimento a uma iniciativa que a priori era individual é algo difícil, até porque as pessoas podem estar andando na mão certa da vida. Não que elas estejam erradas, não que eu esteja errado... Pelo menos nesse quesito, um amigo, fiel comentador deste blog, diga-se de passagem, aceitou depois de algumas indiretas e uma direta certeira, ser parceiro no Tocando em Frente. O formato? Não sabemos, mas descobriremos. Este jovem que se arrisca agora na contramão é o Rafael de Mesquita, ou Rafael K pra quem procurar por ele nos comentários das postagens daqui.

Bom, sei que se também não fizesse certas escolhas que, mesmo me deixando inseguro para segui-las, eu faço, ai sim eu estaria errado pois estaria em uma contramão que me indicaria que ali não seria eu.

Seguindo a lógica de que algo publicado ajuda a ter compromisso com coisas que se pretende, fica nesta postagem a vontade (e o compromisso?) de seguir um pouco na contramão da vida.

domingo, 8 de setembro de 2013

Tocando em Frente

Finalmente sai da vontade e da promessa e postei o primeiro vídeo para a página TOCANDO EM FRENTE. Para quem não souber do que se trata, esta é uma página que criei no Facebook para reunir amigos e simpatizantes da música que faço justamente para divulgá-las. Desde 2005 que componho, tive uma banda durante a faculdade, a WAR, já falei dela por aqui, e foi no curto período de existência desta banda o único momento que me dediquei a fazer algo com minhas músicas. Foi um dos momentos mais criativos em termos de composição também.

Com a Guardas da Fronteira parada, e depois de um ano e meio fazendo uma pós-graduação que me roubava o tempo que eu poderia estar dedicando a música, senti a necessidade de pegar aquelas dezenas de canções e dar a elas algum espaço e oportunidade maiores do que elas teriam em folhas de um caderno fechado, amarelando suas páginas. Tocando em Frente foi somente uma desculpa, um meio, um primeiro passo pra começar a divulgar. No que vai dar, não sei, mas sei que a música é parte importante de mim, fundamental, por isso seja pra um dia "dar em algo" ou para curtir com amigos, ai está, o Tocando em Frente.



PS: Na época em que a WAR ainda estava sendo gestada, eu  meu parceiro de composições, Augusto Ridson, nos reuníamos nas sextas-feiras pela manha na sala de convivência da reitoria da UFC para tocar, já que lá tinha um piano de cauda. A canção Olhar Negro nasceu em uma dessas sextas-feiras, mais precisamente no dia 08 de junho de 2007, neste piano mencionado, fruto de um generoso atraso do Ridson. Valeu a pena o atraso.

sábado, 24 de agosto de 2013

Novos Tempos

Quem diria que a cobra mordeu a própria cauda. Em março de 2007 eu assinava a quarta parceria Ridson/André, a canção "Novos Tempos". E hoje sinto falta viver certas coisas que escrevíamos e cantávamos na época, não que me arrependa das decisões que tomei nesses seis anos (poxa, lá se vão seis anos!), pois não me arrependo. É apenas o admirar-se natural de quem olha pra uma foto antiga ou para antigas canções. Canções da época que métrica ou até mesmo o sentido de certas palavras não faziam tanta importância, importante era a latência constante de ideias e a vontade de transformá-las em música e a vontade de que essa música transformasse o mundo.

Desde que voltei a escrever periodicamente por aqui que senti vontade de vasculhar os arquivos secretos da WAR e escrever algo sobre ela. A vontade se manteve e aumentou, tanto que o outro assunto que eu já tinha escolhido pra postagem deste domingo ficou pra depois. O quê? Ah, hoje não é domingo né? Pois é, comecei a revirar os tais arquivos e decidi não esperar para escrever e postar. Hã? Ah, ok, você também não sabe o que é a WAR, né? Explico.

No terceiro semestre da faculdade de História na Universidade Federal do Ceará, em meio as aulas de América I com o professor e hoje, mais que amigo e padrinho, Gerson Ledezma, algumas conversas dessas de papelzinho e um escrito de um amigo, Agusto Ridson, deram início a uma das épocas mais movimentadas em termos de composição para mim. Em um dia estava pronta a letra e a música de "Casa dos Espelhos" e já estávamos nos debruçando sobre a letra de "Revista em Quadrinhos" com a "Canção de um morto em apuros" sinalizando no horizonte. Era muita criatividade e empolgação. Prometíamos a nós mesmos ser a nova dupla Lennon/McCartney.

Ridson e eu
A partir daí a vontade de "tocar pra frente" essas canções só aumentou. Também em conversas de papelzinho na hora da aula, dessa vez aula de Teoria I, com a professora Meize, convidei para juntar-se a nós o amigo Waldemberg, que gostou muito de nossas canções e aceitou de primeira o convite. Estava então (quase) formada a banda WAR! Porque WAR? É algo meio KLB, admito, mas era a junção de nossas iniciais: Waldemberg, André e Ridson (Baixo, Guitarra/Teclado/Gaita/Voz e Guitarra/Voz, respectivamente). Além do trocadilho, nos apropriamos do sentido bélico do nome e declaramos guerra a uma infinidade de coisas que nossas ideias, nossa ideologia julgava que devesse ser combatida. Neste sentido bebemos muito do rock brasileiro dos 80 e 90, Paralamas, Engenheiros, Cazuza, ah... e sem esquecer do (toca) Raul.

WAR - Waldemberg, André e Ridson
Começamos a ensaiar na sala de convivência da reitoria da UFC, onde tinha um piano de cauda, começamos a dar forma a algumas canções e conseguimos os primeiros amigos fãs da banda. Ensaiamos ainda em uma sala do teatro da UFC, na minha casa, na casa do Ridson e na casa de uma tia dele. Agora já com guitarra e baixo, mas faltava a bateria. Foi o Waldemberg quem conseguiu o baterista, uma amigo próximo de sua casa, o Bruno. Reunimo-nos então pela primeira vez em estúdio e pela primeira vez parecemos uma banda de verdade. O sorriso automático de empolgação que resultava de olhar no olho do outro durante o  ensaio e ver que a coisa estava acontecendo era redundantemente empolgante. Apesar da entrada do Bruno, o nome da banda continuou a ser WAR, no máximo, adaptamos para B-WAR (Banda War).

Banda WAR completa no final do primeiro ensaio de estúdio
As músicas foram surgindo: Olhar Negro, Fim de Viagem, Longe das Verdades, Pos Scriptum, Meu Silêncio, Sombras... O que não surgia era oportunidade de tocar, aparecer. E pelo menos na minha visão da época, eu não via caminhos para alcançar esse objetivo e eu, especificamente, não sabia também como procurá-los. Apesar de todo caminho que percorri com banda até hoje, ainda não sei se sei ao certo. O fato é que o primeiro e único show da banda se deu em um aniversário do Ridson na casa de uma outra tia dele. Reunimos bons amigos e tocamos pra desopilar, pra mostrar a banda ainda sem baterista nesta ocasião, enfim, para dar o primeiro passo.

o show da WAR
A divulgação da banda se dava através de uma comunidade no Orkut, "Pra quem gosta de nós" era o nome. Nela colocávamos as letras e comentávamos sobre as atividades da banda, dentre elas a inscrição em um festival de música da UECE que não deu certo, não nos classificamos. Hoje posso ver que seria impossível se classificar com a qualidade da gravação super caseira que submetemos à inscrição. Se tivéssemos um pouco mais de conhecimento ou pelo menos de condições para realizar uma boa gravação teríamos entrado no páreo.

Meio que quem acabou com a WAR fui eu, faço aqui o mea culpa. O fato de ensaiar somente, sem ter perspectiva de aparecer, pelo menos naquele momento, me desanimou um pouco. Posso ter sido um tanto imediatista, mas foi o que senti na época e neste sentimento baseei minha atitude. Recebi o convite pra integrar a banda Guardas da Fronteira, cover de Engenheiros, que começava já com boas metas. Me empolguei e decidi me dedicar exclusivamente a ela, falei que os companheiros poderiam continuar a WAR se quisessem, inclusive usando minhas músicas, mas isso não aconteceu. Quer saber... no fundo eu sabia que não iria acontecer. São as decisões que a vida põe diante de nós. Ao escolher um caminho, restam dez mil destinos não percorridos. As duas bandas me trouxeram experiências e ótimas, através da comunidade "Pra quem gosta de nós" conheci virtualmente minha esposa, com a WAR dei um fôlego novo as minhas composições, comprei minha primeira guitarra, com a Guardas da Fronteira evolui musicalmente, conheci grandes pessoas, toquei com Carlos Maltz (até estive em uma banda cover de Paralamas, no meio do caminho, a Viernes 3Am), enfim...

Depois de algum tempo do fim da WAR e sem compor novamente com o Ridson, em outro aniversário dele, compomos a que ainda hoje está como nossa última canção, "02 do nove", que ganhou este nome em homenagem a data, aniversário dele e ao retorno (mesmo que único, até então) das composições em parceria.

Gostei demais de relembrar com carinho a trajetória da WAR, ela foi o primeiro passo musical que dei por conta própria e como compositor. Hoje, no entanto, algumas coisas parecem um pouco turvas. Os "novos tempos" nos fazem "olhar no espelho e não nos vermos mais", ou vermos tantas outras coisas que fazem parte da vida e que tornam os sonhos um tanto mais distantes nesta vida de músico. Por isso iniciei falando que a cobra mordeu a própria cauda. Cantávamos em 2007 "vamos ser o vento que nos leva sem pensar", "talvez seja preciso a imprecisão da vida". Hoje vejo que a coragem adolescente que soprava como o vento passou e os "novos tempos" trazem mais desafios que boas novas, como uma monografia que me rouba o tempo da música, por exemplo, ou ainda a vontade de encontrar as pessoas certas que estejam vibrando na mesma frequência que eu e que curtam minhas músicas tanto quanto algumas pessoas curtiram há sete anos para que possamos "tocar em frente".

Enfim... Novos Tempos


Letra de Novos Tempos