segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Meio Bossa Nova e Ronquenrou

Pra amenizar um pouco o clima do blog após o ultimo post meio tenso, trago de novo reflexões sobre a cidade. Após muitos buracos, alagamentos e aventuras que passei nessa época chuvosa, fora o fato de não "ecxistir" mais o paranjana (quem diria) consegui sobreviver e viver um domingo excepcional: bom ensaio, rever amigos, tarde agradável, passagem por uma boa livraria e... surpresa! Lá estou eu no caminho de volta escutando Tom Jobim e Frank Sinatra no carro. As canções do Tom em inglês na voz de Sinatra me fez sentir numa novela do Manoel Carlos (putz, que comparação rsrs): tudo bem, tudo no lugar, todo mundo feliz, tudo encaminhado e prenuncio de uma boa semana pela frente. Quando de repente uma parada não programada para um lanche perto do Parque do Cocó.

Morei mais ou menos ali por perto durante algum tempo na minha infância e ao olhar para o contraste de céu, prédios e árvores mais precisamente no cruzamento da Eng. Santana Jr. com a Pe. Antonio Tomas me sinto como em casa, ou pelo menos em um ambiente familiar... agradável. É bom ter coisas legais como shoppings, lugares pra comer e supermercado bem perto da sua casa, além da natureza sobrevivente do Cocó: uma conveniência a lá Chico Buarque, estar na mata sabendo que a qualquer momento se pode voltar pra cidade e tomar um Chopp. Talvez o clima quase de chuva tenha contribuido pra tornar aquele céu, aquela brisa, aquelas luzes e até aqueles carros e transeuntes únicos pra tornar aquela imagem, aquele lugar bem familiar. Não pude deixar de notar que a música também me alertara pra situação, me senti contemplando o conjunto da obra entre os prédios de Sinatra e as árvores de Jobim... Sintonia perfeita, tudo se encaixava: a paisagem, a memória, a música, o contexto e até o blog para compartilhar minha cidade com eventuais leitores que nunca terão o prazer de conhecê-la por não a terem vivido como eu vivi. Porém a tecnologia me permite compartir ao menos a paisagem para convidá-los a iniciarem a vivência de vocês (mesmo os que conhecem o local, quem sabem não o enxergam com outros olhos hoje).



Pois é, e pra quem pensa que a noite ia acabar meio bossa nova, para minha surpresa um telefonema recebido me traz um novo membro à família dos cacarecos e miniaturas pra minha mesa POWW a noite termina em Ronquenrou, quem sabe anunciando o que está por vir nessa terra de gigantes, mostrando que todas as certezas desse dia, tudo que era sólido para o bem ou para o mal desmanhcha, dissolve no ar

que venha em paz o que o futuro trouxer

novo membro da família (mini SG)

valeu Jorge e Carla!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aconteceu Com Um Amigo Meu!

Engraçado quando ouvimos essa frase, "aconteceu com um amigo meu", logo imaginamos que foi com a pessoa que conta, que é uma história engraçada e que tem haver com sexo. A história que vou contar, acreditem ou não "aconteceu com um amigo meu", tem haver com sexo, porém de engraçada não tem NADA!

Um amigo meu que também é professor me contou que na escola dele tem uma aluna na faixa de 12 a 14 anos mais ou menos que quando ele chegou na sala dela a primeira impressão que teve dela era de uma garota trabalhosa e abusada até (ele arriscou falar). Bem, com o passar do tempo ele percebeu que tratando-a bem ela daria um bom retorno, e assim foi. Ela com o tempo passou a ser mais educada com ele, menos agitada e mais consciente em sala, ainda dentro dos padrões dela, mas parecia que as mudanças eram bem visíveis. Ele chegou pra mim esses dias falando que queria muito compartilhar algo que ele ficou sabendo através de uma conversa de bastidores que ele ouviu sem querer: a garota estava grávida! E pior, grávida de uma espécie de padrinho, benfeitor que sustenta a casa. E pior!!! Com o conhecimento da mãe, afinal como eu falei o dito cujo é o provedor da casa. Segundo descrições do meu colega aflito, a garota até tem já um corpo formado que já não passa mais despercebido, mas que em seu olhar não se nega a pouca idade e o semblante de uma criança. Ao que parece ele já sabia dessa história há algum tempo, só que hoje ele me disse que não aguentou mais ficar sem desabafar com alguém pois percebeu que a barriga da garota já estava saliente e isso mexeu com ele. 

Meu colega se inquetou bastante com o caso, pois queria fazer algo pra mudar a situação... Me indignei junto a ele em nossa conversa, pois também não consigo ficar calado diante de certas coisas. Denúncia! Primeira palavra que vem ao pensamento. Só que depois ele me falou que o caso é mais sério: que implicações uma denúncia iria trazer a ele e a escola e até pra vida da garota. O que aconteceria com a família, como será que a própria garota lida com isso, será que ela iria aprovar uma atitude do tipo ou isso traria infelicidade a ela, afinal família é família e na mente de uma criança é algo que está bastante fincado. Depois da conversa me lembrei do filme brasileiro "Crônicamente Inviavel" (maiores informações vide google) que mais ou menos mostra que as vezes até fazendo o bem você consegue acabar fazendo a maior burrada ou destruindo ainda mais o que tentava melhorar por conta da situação em que o caso estava.

Pensei também no nosso amparador para todas as horas: o Estado. Não confio nos serviços do Estado como por exemplo o conselho tutelar. Claro que existem pessoas que fazem a coisa minimamente funcionar. Não quero ser sensacionalista, mas não podemos negar que muitos dos que se candidatam a conselheiro o fazem como um trampolim para a candidatura a vereador e assim se inicia mais um processo de políticagem. Dai como poder confiar uma situação dessa ao Estado?

É tanta informação que ainda estou processando que não sei nem mais o que escreva. Não quero que este post (mesmo tenso) venha pra trazer um clima negativista, mas que pelo menos nos faça pensar um pouco nas questões que o assunto envolve. Eu por mim castrava o indivíduo e fazia ele engolir seus orgãos genitais... Mas antes que alguem me condene, censure, prenda ou que suspendam o blog por conter idéias violentas prefiro parar por aqui, até por não saber como terminar o texto dessa vez.

O melhor que posso fazer é agradecer por não ter conhecido essas pessoas envolvidas para não estar com um sentimento de repulsa maior e pelo fato de que isto aconteceu não comigo, mas com um amigo meu.

PS: Desculpem algum constrangimento com o teor das palavras e do assunto dessa postagem.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

E se sobrarem só 5 justos?

Acho que é Ló o nome do cara que estava intercedendo a Deus pela cidade de (Sodoma ou Gomorra, não lembro) enchendo o saco do Todo Poderoso com a pergunta: e se sobrarem X justos, Senhor, a cidade será poupada? A moral da história é que no final das contas se sobrasse um justo na cidade todos os ímpios seriam poupados, poréééém, haveria de se convir que era melhor ter um justo morto homenageado por ter sido sacrificado com os maus do que um justo morto pelos maus que viveram.

Essa história toda é pra complementar o texto anterior. Já que falei da experiência de levar Charles Chaplin para meus alunos mais "dificultosos", venho agora depois de 4 sessões de "Tempos Modernos" em 4 turmas diferentes de 8º ano dizer a vocês leitores que SIM! Agora alguém odeia Charles Chaplin. Vou ser mais direto e divulgar as estatísticas:

1ª turma (considerada boa): muitos risos, percepção de pequenos detalhes da pantomima, motivação pro dono do blog escrever o post anterior e fotinha da turma aqui.

2ª turma (considerada boa, porém sonolenta): muitos risos, alunos que surpreenderam por terem adorado o filme, alguns poucos demonstram sinal de chateação.

3ª turma (considerada chata, não te deixa nem fazer a chamada): risos dentro do esperado, muitos mostraram desinteresse antes mesmo de chegar a sala de vídeo, chamei atenção algumas vezes, comecei a pensar que o filme poderia ser massante para eles. CUIDADO CHARLES, estão começando a lhe odiar.

4ª turma (considerada razoavel com alunos ótimos e alunos err.. "não ótimos", digamos): antes de chegar a sala já queriam ir pra casa, muitas reclamações quando aviso que o filme não é dublado e que tem pouquíssimas falas. Muita conversa no início, tive que parar pra trocar aguns de lugar. Faltando 10 minutos pro final da aula disse que quem quisesse podia ir pra casa, quem quisesse poderia ficar. Alguns olharam pra ver se ia ficar alguém, mas quando viram que todos iam correndo já pra casa não queriam ser os otários que ficaram vendo a "besteira que o professor passou".

Pois é...  muitos de nós professores de história quando discutimos sobre como passar filmes em sala de aula, falamos que é necessário se fazer a edição, passar trechos, não deixar o filme massante. Mas poxa, eu como fã de Charles Chaplin não posso cometer o crime de resumir o filme à cena clássica da fábrica e dos tics nervosos do Carlitos. E como professor, não posso crer que os alunos não possam ser capazes de conhecer um mundo novo, principalmente porque na sala dos professores rola muita conversa de que "esses meninos são carentes e só acham que o mundo é essa vidinha deles, não querem ver além". Se alguém um dia não arriscar pra mostrar o novo pra eles, quem irá mostrar? E Quando? Quando passar a infância? Quando o novo não interessar tanto quanto o "eu tenho que trabalhar pra me sustentar, não tenho tempo pra essas besteiras"?

Hoje, para uns sou o cara dos filmes velhos e chatos, para outros sou só ainda o "tio", para alguns poucos quem sabe eu possa ser alguém que mostrou algo de novo que a pessoa não fazia idéia que existia. Mas e aí, o que fazer agora? Se render aos métodos práticos de se dar aula de história na sala de vídeo, ou arriscar usaro que me resta da paixão pela arte e tentar mostrar algo de novo para estes jovens?

Pra ser sincero, a resposta se tornou um pouco difícil para mim, tendendo mais a me deixar levar pela paixão. Já que, hoje, depois de eu liberar meus alunos, ficaram 5 justos!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Todo Mundo Odeia Charles Chaplin


Calma! Pra quem já está com vontande de me matar pelo título do post, aviso logo que é apenas uma ilusão ao seriado "Todo Mundo Odeia o Chris", já que na verdade todo mundo ama o chris né! Da mesma forma, ou melhor, muito mais intensamente, todos amam ou pelo menos admiram o trabalho genioso de Charles Chaplin. Até o mais carrancudo headbanger chupador de limão já deve ter largado mão de suas caretas por conta de uma pantomima do Carlitos. Até hoje não conheci uma pessoa que não esteja enquadrado nessa regra, creio eu que a única sem excessão.

O fato é que, chegando ao capítulo de Revolução Industrial com meus alunos de 8o ano do ensino fundamental, levei para eles o filme Tempos Modernos pra discutirmos as questões do trabalho e da vida moderna, blá blá blá. O ponto é que na rede pública de ensino os professores lidam muitas vezes com alunos totalmente sem estimulo pra ir a escola (seja por qual razão for) e que, apesar das estranhezas, e as reclamações iniciais pelo filme mudo e em preto e branco, estes jovens quase hiperativos da geração restart/crepúsculo/swingueira/pagode que não dá trégua ou dedica sua atenção a alguma coisa facilmente logo estavam às gargalhadas com o filme. É interessante que estes jovens que por muitas vezes se mostram tão avessos a novas (e antigas) formas de linguagem, que, por preguiça, leem no máximo três palavras por parágrafo de um livro didático (na maioria dos casos) estejam atentos aos mais tênues sinais de humor, rindo, gargalhando, absorvendo esta nova linguagem. Pena que pelo baixo número de alunos na escola os garotos foram liberados mais cedo (ainda dei a chance de ficarmos vendo os filmes, mas preferiram curtir o clima de chuva em casa).

Pois é, me rendo ao cara e, descaradamente neste post, teço elogios a vida e obra de Charles Chaplin (fica até a dica pra quem gostar de ler, sua autobiografia: "Minha Vida"). E o espaço que venho compartilhar hoje? Fica com vocês uma foto das crianças assistindo ao filme e quem sabe um espaço na memória deles que permita que no futuro ocorra algum diálogo do tipo: "ah, eu já vi esse filme em algum lugar" ou "amiga, esse é o filme que aquele prof. passou, lembra? qual era mesmo o nome daquele professor?"

É isso ai... Fé Cega e Pé Atrás


domingo, 2 de janeiro de 2011

O ultimo dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro

Pronto pra sair pro reveillon, faltava apenas o calçado, olhei carinhosamente pro meu all star vermelho e disse: é você! Quando vou calçando percebo que ele ainda está sujo de areia da praia do show do Pouca Vogal (17/12)... bah, vai assim mesmo... Bom presságio pro ano que se inicia já que só tive alegrias nesse show, além de conhecer pessoas maravilhosas. Esses pequenos grãos de areia que nem chegaram a incomodar trariam junto a simbologia hawaiiana do all star engrenado tão somente boa energia.

Pensando nesse pequeno fato, sozinho em casa esperando meu pai para sair, fiquei pensando na força do silêncio que move milhares de pessoas fãs, como eu, do trabalho e até da pessoa do Humberto Gessinger. Nesta noite de 31/12/10 creio que iniciei o que pode se tornar um ritual pra todo reveillon daqui pra frente: sozinho, all star engrenado, meu violão e "quase uma oração" (maltz): a canção Em Paz (gessinger). Lembrei no momento em que cantava "em paz" do trecho da canção supracitada de Carlos Maltz: "muito longe daqui, alguém está cantando, em silêncio e só, quase uma oração". Era eu neste momento, em silêncio (coisa rara, pois confesso que acostumei ao barulho da televisão em casa) e só, atentando para os pequenos rituais de oração que nós engenheiros hawaiianos temos, seja um tênis, uma frase no msn, uma comunidade no orkut, um cd no armário, uma idéia na cabeça, ter feito um twitter só pra seguir o @1bertoGessinger, um adesivo no vilolão, etc, etc, etc...

Tinha outras coisas pra falar aqui, da volta pra casa, do jantar em família e da ávore de natal feita de latas de leite ninho do meu sobrinho Gabriel, que ontem completava um ano, política... mas acabei envolvido por este ritual que pratiquei pela primeira vez até agora, faltando 52 minutos pro segundo dia do ano, e por isso mesmo encerro por aqui minhas palavras. Meu espaço ou retrato que hoje quero compartilhar não é físico, mas espiritual. Tenho certeza de que estes 31/12 - 01/01 foram singulares para mim, dias até diferentes, quem sabe. Mas tão somente pra professar minha fé, não posso negar que o último dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro!

feliz ano novo (de novo)

andré ramos