segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Papai Noel chegou pra "fudê" com o meu natal!

Olá caros leitores, pessoas e entidades anônimas que movem os contadores deste blog lendo minhas reflexões ou só dando uma olhadinha sem compromisso... quanto tempo hein!?!? Sejam bem vindos de volta! Sejam bem vindos pela primeira vez novos amigos e/ou novos curiosos!

A ultima vez que estive por estas paragens foi no dia 19 de maio... faz muito tempo! De lá pra cá tive várias idéias de uma nova postagem pra retornar após o dia 13 de agosto (até esse dia estive respirando o aniversário de 3 anos de minha banda, Guardas da Fronteira, com a presença ilustre de Carlos Maltz aqui em Fortaleza, além de ter a honra de tocar com ele! ... enfim, muito sangue, suor e lágrimas para o evento dar certo.. e deu), mas acabei não escrevendo nada. Quando a idéia passa mais de uma hora na cabeça sem que eu a escreva a validade acaba, que dirá dias, semanas. De lá pra cá também já pensei em falar sobre várias coisas desde o câncer de Reinaldo Geanechinni (quem liga se o nome se estiver escrito errado)e o sensacionalismo babacionismo que se cria em torno de eventos assim (com todo respeito a pessoa dele e ao momento em que ele passa)até ao próprio silêncio deste blog e as várias coisas que podiam ter sido escritas aqui que não foram, além de como eu vi a repercussão destas coisas sem a minha singela e, quem sabe, despercebida opinião com uma postagem que até nome já ganhou: Silêncio, vamos ouvir os passos do mundo! (parafraseando uma musica do Maltz, que a propósito eu o convidei pra dar uma lida nesta postagem no dia que eu a iria escrever, se ele pintou por aqui pra ler, pô que fique registrado meu pedido de desculpas, pois faz tempo e até agora como podem ver eu não escrevi!)

Muito que bem! Feitas algumas justificativas, vamos pensar um pouco sobre a bola da vez, uma coisa chamada carinhosamente de Papai Noel!

Talvez depois de tanto tempo sem escrever eu possa estar iniciando um novo ciclo, já que esta postagem retoma alguns pontos das origens do blog: 1- a proximidade do natal; 2- uma das primeiras postagens aqui foi por conta de um "mar de carros" que me chamou atenção no estacionamento do iguatemi; 3- inspiração pra escrever surgindo de coisas corriqueiras e até inesperadas... as singularidades do dia a dia daquele que "todo dia faz tudo sempre igual".

Vamos aos fatos: dia 06 de novembro, quem curte EngHaw sabiae que este era dia de twitcam do Humberto, lá estou eu voltando pra casa cedo pra assistir até que... chegando próximo ao Iguatemi vejo a fila de carros, putz! Lembrei que era dia da chegada do Papai Noel (que a cada ano chegam mais cedo nos shoppings de Fortaleza); dei a maior volta pra tentar pegar uma rota alternativa que não me atrasasse tanto até chegar em casa, mas foi inevitável. ¬¬

Quando me aproximo do Iguatemi por outro caminho vejo que até este estava intrafegável: além do congestionamento enorme, quando começam os fogos o trânsito PARA totalmente! Ok, descontando o tempo que perdi procurando esta outra rota e cronometrando o tempo em que fiquei parado, contabilizo 20 infindáveis minutos! 20 minutos em que as ruas nos arredores do Iguatemi pararam pra ver o Papai Noel!

5 primeiros minutos: buzinaços, reclamações, filho dessa e filho daquela praqui e pracolá!

6º minuto: começam os fogos, eis que todos saem dos carros e adimiram o espetáculo (pão e circo) sem reclamar, até ligam o som do carro pra curtir melhor e fotografam o evento. Afinal, se é pra ficar no trânsito parado mesmo por mais 15 minutos porque não apreciar o espetáculo?!

Olhem só a situação... fotografei minha visão de dentro do carro e a fila de carros infinita que se podia ver do retrovisor:




Bom, daí podemos pensar em algumas possibilidades:

1 - alguém passando mal pra morrer esperando papai noel passar... ¬¬
2 - alguém em trabalho de parto parindo no carro esperando papai noel passar... ¬¬
3 - alguém que sai cedo da casa da noiva pra poder chegar cedo em casa e assistir com calma a twitcam do Humberto Gessinger... (nem tão ¬¬ assim, tendo em vista a gravidade das possibilidades acima)
4 - garotos "espertos" se ligam na oportunidade única e aproveitam o trânsito pra sair roubando todo mundo que não tem pra onde ir esperando papai noel passar ... ¬¬

outras possibilidades:

5 - passeata dos professores em marcha pelos 10% do PIB para a educação na av. 13 de maio, noticia passando no CE TV e um senhor reclamando muito puto de 8 minutos perdidos (no máximo) enquanto a marcha passava pelo cruzamento em que ele estava e que isso era um absurdo e etc etc etc...

Pô, vou lembrar de por efeitos pirotécnicos na próxima marcha, providenciar um pão e circo pra quem tiver esperando a marcha passar!

Ok, sou muito suspeito pra falar dos professores em mobilização visto que participei ativamente da greve dos professores estaduais.... mas mesmo assim, FODA-SE se achar ruim... a alienação e a falta de informação atingem a todos a todo instante, e por isso professores como eu estão agora com a angustia a flor da pele por conta de um movimento que parece apontar para morrer na praia por conta da incompreensão da complexidade de problemas sociais como greves (seja de professores ou de qualquer outra categoria) por grande parcela da população .

Ok, passada a sessão desabafo, voltemos ao glorioso papai noel... É incrivel como durante todo o tempo da queima de fogos todos os motoristas pararam de buzinar e assim que acaba, a lembrança de tudo o que se tinha pra fazer e do tempo perdido voltam em forma de um grande buzinaço coletivo em kms e kms de carros parados que ao olhar para o retrovisor eu já não via mais o fim da fila.

Ok, todos nós precisamos de um pouco de fantasia, religião ou qualquer outra coisa que nos faça esquecer por um instante nossos problemas. Mas quando essa fuga se torna um problema, e fugir é um problema, ai a chapa esquenta! Aliviar a dor pra seguir adiante é uma coisa, fugir da dor, se entorpecer, cegar pra não ver o que não quer, sucumbir ao consumismo natalino, sentar no colo do papai noel, entupir avenidas de carros pra ver o "bom velhinho" chegar, gerar lucros para os donos de lojas, aqueles que detem os nossos objetos de satisfação e prazer, objetos fetichizados com valores muito além do necessidade.. isso é errado? De certa forma não há mal nenhum em querer, em satisfazer, em prazer... mas há algo errado... a forma como tudo isso acontece, a fuga que reside em momentos como esse, final do ano pra zerar tudo e recomeçar, dia dos pais ou das mães pra dar um presente, um abraço e um agrado em compensação a um ano todo de relação desgasta... coisas que acontecem... possibilidades.

Posso parecer cético nessa postagem, e pode até parecer que estou cometendo o sacrilégio de macular o sacrossanto significado real/religioso/comercial do natal, mas.. coisas precisam ser ditas as vezes...

Até curto o clima de final de ano, dá uma tristeza/melancolia/esperança/renovação/medo/alegria/etc etc etc... muitos sentimentos se confundindo de uma só vez, afinal são poucos dias para condensar toda a responsabilidade de pesar o que você fez em um ano e projetar o que quer para o próximo. Talvez até esse obejetivo de se repensar a vida no natal/ano novo já seja um ponto fetichizado... "no final do ano eu penso e repenso tudo" ou "esperar chegar a hora certa pra se medir perdas e danos" ou tantos outros pensamentos dessa natureza que se possa ter...

Pra encerrar: pensei em por algo menos ofensivo no título da postagem mas (já que as tradições são assim) fazendo o balanço do ano e do pensamento do dia formado nestes 20 minutos de congestionamento e pirotecnia... só posso crer que realmente papai noel não está muito generoso esse ano para muita gente, assim como esteve para tantas outras em tantos outros anos passados enquanto faz com que tantas outras vislumbrem sua fantasia natalina pensando seriamente sobre a vida durante um instante só dentro de um ano inteiro em que estão inebriadas de certa forma pela fantasia do momento. Nem por isso parem de refletir no final do ano, mais vale isso que nada. O tempo e a forma como ele se dá e é visto é uma coisa puramente humana. O ser 1-mano deve realmente  precisar de certos ciclos... apesar de criticar algumas coisas pertinentes a forma como a coisa se dá, é importante sim refletir ao final de um ciclo.

Pra não começarem a me chamar de contraditório (além de cético) vou parando por aqui!

Mais uma vez sejam bem vindos. Esta recepção após tanto tempo sumido foi um tanto ácida mas espero que estejam a vontade e voltem em outras oportunidades, prometo tentar voltar também com mais frequência...

abraço a todos!