domingo, 23 de setembro de 2012

Esperando a primavera


Para ver a primavera chegando aos poucos
Eu vou fechando os olhos e sigo imaginando
Cantos tristes, tardes tristes, tudo mudando
Rajas de sol vermelho no céu amarelo
E eu pé de chinelo sigo caminhando
Procurando, procurando...
E a primavera chegando

Para ver a primavera chegando aos poucos
Eu fecho as portas, acendo a lareira e sigo sonhando
Ipês amarelos, sorrisos singelos e passos errantes
E o frio que não passa
E a chuva na praça
E eu, caminhante
Pra ver a primavera chegando aos poucos
Pra florescer meu coração errante

André Ramos
(23.09.2010)

PS1: Lembro que este escrevi a partir de algo que Humberto Gessinger falou sobre a primavera chegando.

PS2: Ao ler esse poema hoje mudei uma palavra no seu final e decidi postá-lo. Só agora faltando apenas um clique no botão "publicar" vejo que escrevi exatamente há dois anos, no mesmo dia 23 de setembro. Mapas do acaso!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eterna a cada momento



Das flores e estrelas que trocamos
Apenas começamos
A contar o que não tem fim

Dos dias de nossos dias
Do prelúdio em que estamos
Dos dias que passamos
E o início que está por vir

Contamos o nosso tempo
És eterna em cada momento
Minha canção tocada em Mi

André Ramos

PS1: Feliz aniversário meu amor!

PS2: (aos leitores) A canção tocada em Mi, depois mostro aqui no blog.

domingo, 16 de setembro de 2012

Lamento


No auto-exílio que criei de meu amor
Vejo passar o mundo que sonhei
Vejo passar os beijos que não dei
E sinto tanto a cada outro que não ganhei

No ostracismo que criei e me prendi
Vejo passar os amores que perdi
Deixo passar os amores que vivi
Pois somente a um me dediquei
Ao mesmo que não me dei

Pois clandestino deste mundo
Que sonhei, que destrui
Clandestino em mim
Você vive e sobrevive
Vive o que não tem fim

André Ramos
(10.09.2012)

domingo, 9 de setembro de 2012

O próximo passo

O que te move?
O próximo passo ou que vem depois?
Onde se quer chegar ou aonde se chega depois?
O próximo passo é certo, então porque não?
Quando o andar é incerto, então...
Então?

André Ramos
(09.09.2012)

domingo, 2 de setembro de 2012

Nepalqueando

Todo mundo mudou um pouco! Não era pra mudar? Se não era, ninguém me avisou. Pra falar a verdade, de início nem percebi, só depois comecei a perceber sem querer. E sem querer admitir também percebia que o silêncio aumentava em mim, afinal eu também estava nessa. E aonde estão os desaparecidos? Tanto tempo também faz que não vemos aquelas pessoas, ou ao menos não vemos nelas aquelas que víamos alguns anos antes... É como está escrito, "só a mudança é permanente", acho que tudo isso nós sabíamos desde o início que seria inevitável.

Todo mundo mudou um pouco, é verdade, mas ainda há algo presente no sol que nos indica o caminho de Foz a Fortaleza,  ainda o mesmo que vimos cair tantas tardes. E quantas vezes o vimos cair mais? As músicas do cair do sol ainda são as mesmas? Afinal, ainda há uma sensação sem explicação que, não sei vocês, mas me toma de assalto a palo seco, também quando jogo pedra na Geni, evoco as armas de Jorge ao som do berimbau ou do canto de Ossanha. 

Arriscaria até a palavrear  aqui no que compete ao "carnal", porque cuando las cosas se ponen más calientes se puede decir que sí, tenemos salsa. Arriscaria, se não tivéssemos dela nos despojado quando nos colocamos como crianças ao som da saudade, reunidos, recebendo o coração que nosso "presidente" nos derramava com sua história, sua vida.

Em outros tempos talvez o que tivesse a falar fosse diferente, ao menos como falar. Em outros tempos talvez as rememorações fossem mais diversas, imersas em gargalhadas falando desde o buraco do tatu aos ônibus que quebram na puta que pariu, pra não dizer que não falei das flores. 

Em outros tempos talvez.

PS1: Desde que Gerson e Isadora aceitaram ser meus padrinhos de casamento, rememorei muitos momentos de nosso querido Nepalc e quis aqui compartilhar um pouco, em meio a honra e alegria de ter conhecido todas as pessoas maravilhosas que conheci nesse convívio, e também em meio as mudanças que todos passamos.

PS2: Com todo duplo sentido que a ocasião me oferece, essa breve postagem cheia de alegria e saudade é dedicada a cada um de vocês que tem um pedacinho do nepalc dentro de si!

falta muita gente na foto, mas é porque "nóis é espaiado" mesmo =)



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O primeiro olhar


Em 2010, comprei um par de óculos pois fui o percussor dos óculos dobráveis, ou seja, os que eu usava até então, partiram ao meio (entre as lentes). Não usava óculos com muita regularidade, usava uns escuros para dirigir e depois guardava, passava o dia sem. Dessa forma quando usei pela primeira vez os óculos novos, tive uma sensação impressionante, realmente naquele momento eu estava com uma nova visão. O desleixo com o par antigo me fez acostumar a ver meio floo, quando pus o novo par eis que tudo estava ali de novo. É estranho falar isso, mas eu gostei de olhar. Olhar pras coisas, vê-las mais nitidamente, ler, olhar de novo. É mais comum você gostar de coisas táteis, gostar do cheiro, gostar de ouvir (uma música por exemplo), eu sinceramente antes de ter essa sensação nunca tinha visto ou ouvido alguém falar que gostava de olhar. E não é ver, de enxergar, é olhar mesmo. Tom Jobim "viu" a garota de Ipanema, essa ação involuntária deve ter durado uns dois, três segundos, depois ele olhou mesmo, rs (deu pra entender a diferença?). Enfim, aquela situação e aquele gosto pelo olhar as coisas, olhar o mundo foi interessante.

Semana passada recebi um novo par de óculos e a ansiedade antes que sentia antes deles chegarem pra sentir esse gosto de olhar de novo era grande. Só que com os dois anos com o par de óculos que eu estava usando regularmente, não houve uma grande diferença, não cheguei a sentir falta da visão plena, ou quando sentia, ao tentar ler alguma coisa sem óculos, logo recorria à sua ajuda pois não tenho mais paciência e ,dependendo da letra, condições de passar sem eles. Enfim, aquele primeiro olhar que pude experimentar em 2010 se foi, passou, o momento era aquele. Como tudo que fazemos na vida, o primeiro show, a primeira composição, a primeira parceria, o primeiro acorde, cada primeiro momento, "tá vendo? Já passou".

Se por um lado, tenho essa experiência de que o "primeiro olhar" não volta, a vida me prova o quanto estou tão certo como errado nessa afirmação. Vai entender lá o que acontece com a gente na "vida louca vida". Só sei que certa vez no começo de namoro minha noiva me perguntou se aquele momento iria perdurar, se não seria "coisa de começo". Respondi que seria coisa de começo, meio e fim. Domingo não escrevi nada, estava mal, e muito desanimado com muita coisa. Incrível como um encontro com a pessoa que se ama pode te por de volta em órbita. Algumas coisas caíram como luva para a postagem da semana, idéias musicais e coragem de propô-las surgiram, tudo de volta ao lugar. E no quesito coisas do coração, trocas de sms de duas pessoas que acabaram de iniciar um namoro naquele dia, naquele instante, mesmo com já 4 anos de caminhada a dois, mas o sentimento de que ainda estávamos no primeiro passo era mais forte que qualquer tempo que tenha se passado. Fazer o que então se é o coração quem manda? De ja vu? Não dessa vez. A ocasião ainda é a do primeiro amor que está, após quatro anos, mais vivo que nunca!

PS1: Não é querendo dar uma de autor de posts de auto-ajuda, mas realmente não sabemos o quando vai durar um primeiro olhar que queremos guardar, então guarde-o.

PS2: Woody Allen tem uma marca visual muito forte com seus óculos, inclusive usando-os com personagens que temporalmente não deveriam. Augusto Licks também tem o óculos como um acessório que compõe seu "look". Hoje até Gessinger e Maltz já estão nessa onda 4 olhos. Sempre procurei algum que me identificasse, que pudesse ajudar a compor minha identidade visual. Hoje posso dizer que encontrei um par que me satisfizesse nessa ânsia.

PS3: Pensando nessa coisa de identidade visual atentei para o fato de que o óculos, o objeto que te ajuda a ver o mundo, é uma peça que você não pode estar vendo em si mesmo constantemente, como uma roupa, acessório ou algo do tipo, a não ser que esteja na frente do espelho. Mas não temos como viver na frente de um, concordam?

PS4: Como não tenho registrado (fora do coração e da lembrança), o primeiro olhar que troquei com minha perfeita simetria, ou até a primeira visão que tive dela quando a vi chegando pra uma viagem pra ver o show dos Engenheiros em Sobral em dezembro de 2007, compartilho com vocês "o primeiro olhar" que tratei de guardá-lo antes mesmo de saber que esse olhar duraria 4 anos (e contando...)

O primeiro olhar:

pra aumentar a imagem é só clicar


domingo, 19 de agosto de 2012

Caminhos de Silêncio


A tantos mundos já quis pertencer
Porém hoje, não mais
E olhando pra trás
Vejo que nada me pertence
E não me pertenço a nada
Aos jardins que outrora caminhei
Aos amores que ainda ontem cultivei
Já não há mais sentido
Pelo que vi por conta própria me desviei
Então esquece, pois hei de seguir
Errante assim, calado assim
Assim hei

André Ramos
30/08/10

domingo, 12 de agosto de 2012

A cigarra, a formiga, o goleiro e a luva



Em uma das postagens em que tratei sobre a canção Pos-Scriptum e fiz o convite para mostrar mais trabalhos de quem quisesse se mostrar eu usei a expressão "trabalho de formiguinha". A formiga é conhecida, até por conta de sua fábula com a dona cigarra, por trabalhar e trabalhar em equipe, várias formigas, minúsculas criaturas, fazendo um trabalho minúsculo que ao final revela uma obra grandiosa. O que de grandioso pode haver no trabalho de uma formiga, você pode perguntar. Ora elas estão até hoje ai, não? Tendo que construir seus formigueiros em ambientes cada vez mais urbanos, disputando com cimento e outras modernidades. E se você, provável leitor estiver permanecendo incrédulo, posso não ter como lhe provar o sucesso de uma formiga, mas tenho como lhe provar o quanto nós, os incríveis seres humanos, somos incapazes de realizar o trabalho de um inseto tão minúsculo, apesar de toda tecnologia que temos a nosso favor.

Na teoria tudo parece simples, ações planejadas que se executadas terão o sucesso garantido. Quando convidei alguns a fazerem o tal trabalho de formiguinha foi na intenção de divulgar idéias, não só minhas, mas de quem se aventurou a me enviar algum trabalho para postar nesse blog dominical. A ideia era simples: eu mostro o blog com o material dos colaboradores para uma pessoa e peço que essa pessoa mostre para mais uma e peça que essa mais uma peça para mais uma e assim por diante. Teoricamente, em questão de tempo poderíamos ter dominado o mundo! Com todos os recursos de compartilhamentos que temos no twitter e no facebook, a referida postagem alcançou em uma semana 142 visualizações e 3 comentários. Dois dos vídeos que seguiam na postagem foram upados por mim em minha conta do Youtube. As estatísticas não mudaram muito, foram em tordo de 100 para meu vídeo com a música Pos-Scriptum e umas 60 para a música da Theater of Salvation do brother Rafael. Hoje, após parar de divulgar o link, meu vídeo possui 109 visualizações e o do Rafael, 75. Como bem lembrei de ressaltar, no final da postagem adverti que iríamos observar a repercussão estatística do blog, dos vídeos e dos outros materiais sem as três palavras mágicas, que seriam "para nossa alegria". Hoje a febre da família alegre baixou, é o que me serve de consolo. Tanta gente com boas idéias que desistem de seus projetos porque não conseguem o apoio esperado nem de seus próprios amigos na maioria das vezes, e coisas como "para nossa alegria" ou "Stephanie absoluta no seu Cross Fox" estouram do dia pra noite. É como diria Nei Lisboa, "cada povo tem o novo que merece". A música, ou o "mercado" em proporções massivas não são as primeiras nem as únicas coisas questionáveis no Brasil. Espero ter demonstrado claramente o quanto acho que as formigas estão superiores a nós humanos, ao menos nesse aspecto. Por isso não conseguimos mudar certos políticos por ai, alguns partidos menores usam de um radicalismo ou utopia tão surreal que acham mesmo que os operários de 2012 vão fazer funcionar a receita de bolo de Marx, do século XIX ao infinito e além. Mas enfim, não falemos de política em ano eleitoral, senão posso ser acusado de apoiar ou falar mal de algum candidato só porque a primeira coisa que lembro quando penso no Elmano, Roberto Cláudio, Marcos Cals, Inácio, Valdeci Cunha, André Ramos (ah infeliz pra ter logo meu nome), Gonzaga, Moroni e Heitor Férrer como prefeitos de Fortaleza é "Ave Maria 'trêis vêis', Ave Maria 'trêis vêis', Ave Maria 'trêis vêis".

Assistindo ao jogo Brasil x México, na final das Olimpíadas de Londres, me veio a lembrança de um determinado mês de férias que tive, não lembro se julho ou janeiro, no qual participei de uma colônia de férias. Uma das atividades era competição de futsal. Montei um time com meus primos e um amigo. Eu não jogava nada, pra não dizer que sou de todo ruim, ao longo de meus 24 anos eu posso dizer que já fiz 1 (um) gol. Tendo em vista essa informação, podemos juntos nos perguntar que diabos eu queria fazer ali. Resposta, eu tinha um par de luvas de goleiro e só tinha usado até então em casa, brincando com meus primos, nunca em um jogo de verdade nem em uma quadra ou campo de verdade. A luva fez o goleiro, o time e a derrota. Perdi as contas de quantos gols eu levei em menos de cinco minutos. No segundo tempo troquei com um primo. Não fizemos nenhum gol mas pelo menos desde então não frangamos mais. Era o motivo errado pra montar um time, acho que pude concluir que o hábito não faz o monge, muito menos a luva faz o goleiro. É como um casal como alguns que conheço que tiveram de casar por conta de uma gravidez não programada. Um dos casais hoje não está mais junto. Era realmente pra ser? Filho é motivo pra casar? Um par de luvas é motivo para fazer um time? Puro egoísmo (de quem fez uma criança sofrer uma separação pré-fabricada ou de quem usou 5 pessoas para satisfazer um desejo de usar as luvas)?

No entanto, buscando enxergar o outro lado da moeda, Humberto Gessinger nos diz que "um par de olhos, um por de sol as vezes faz a diferença" e ainda "artifícios que usamos para sermos ou parecermos mais reais". Explico! O que fazer quando "quem importa não se importa"? O que fazer quando caem ou simplesmente faltam os números de visualizações de um blog ou um vídeo, ou o que fazer quando pessoas te dizem, pô legal curti, escreva mais, toque mais, escreva toda semana, não deixe de fazer sua arte e depois viram as costas, esquecem de vir toda semana ou não te escutam quando você canta? Cazuza diz em uma música muito intensa "quando eu estiver cantando não se aproxime, quando eu estiver cantando fique em silêncio, quando eu estiver cantando não cante comigo". Embora eu pareça estar "reclamando" de atitudes como essa, de ninguém cantar minha música ou algo do tipo, compreendo bem essa música, pois pra quem compõe a música é "quase uma oração" e exige uma certa devoção. Nem sei se devoção é a palavra certa, mas quem canta quer ser no mínimo ouvido, e quando te pedem canta e depois a última coisa que fazem é te ouvir cantar, a vontade que tem é adotar essa atitude do Cazuza, exigir silêncio, atenção. Infelizmente o que acontece muito para os anônimos, meros mortais, é o contrário, ao invés de se exigir silêncio, silencia-se. Em que artifícios poderíamos nos agarrar quando se pensa que motivo nos convence a continuar? Uma luva, um filho, um par de olhos, um por de sol, um sentido escondido nas tuas próprias palavras, um primeiro acorde de canção?

Mestre Raul dizia que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, mas não esqueçam que no final de contas quem se da mal e precisa de ajuda é a cigarra!

PS1: Para bom entendedor...

PS2: Essa postagem pode ter um tom meio dor de cotovelo, mas há fantasmas que precisam ser libertos.

PS3: A postagem de que falei no início do texto é essa: "Post Scriptum"


domingo, 5 de agosto de 2012

Guardas da Fronteira

4 anos é um tempo considerável! O menino já está andando e falando alguma coisa. Uma vida curta, mas ainda assim uma vida. Próximo dia 11 de agosto, sábado, a Guardas da Fronteira completa 4 anos de existência, uma pequena vida dentro da vida de algumas pessoas. Dentro desse tempo houve tempo pra muita coisa, amizades, histórias de bastidores, noivado, casamento, viagens, vida que se vai, vida nova chegando, briga, reconciliação, muitas coisas mesmo.

A banda surgiu com o jurássico Orkut, Luis Felipe (o Guassussas) fez o convite na comunidade enghaw Ce para quem quisesse se chegar e formar uma banda cover de Engenheiros. Walter Rebouças, cara que eu já conhecia da UFC, nós dois fazíamos História, aceitou primeiro o convite, o próprio conseguiu, em uma comunidade de bateristas, recrutar Tiago Campos, e assim estava formada a primeira formação da Guardas. Eu acompanhei o processo na comunidade, mas decidi ficar de fora. Na época, rolavam uns encontros enghaw na praça verde do Dragão do Mar e, num desses encontros, aconteceria a primeira reuniam para tratar da banda. Não sei por qual motivo mas a reunião não aconteceu, o encontro sim. Estávamos lá, Walter e eu. Com o tempo antes de outra reunião Walter me chamou pra somar mais uma guitarra na banda e eu fui pra ver qualé. Foi em uma segunda feira, dia 11 de agosto que a Guardas da Fronteira se reuniu a primeira vez. Ainda lembro quando cheguei e vi o Walter com o Tiago em uma mesa do Benfica (o shopping)  e de como achei engraçado o Luis e seu jeito de falar naquele primeiro contato. Saímos de lá e fomos rumo ao primeiro ensaio no Estúdio 14, não tinha nem como registrar a banda toda, pois eramos somente os quatro naquele momento, no caso, Luis, o fotógrafo ficou de fora. Fotos logo abaixo.

Tiago

Eu

Não é o que pode se chamar de melhor foto da pessoa, mas esse é o Walter
Se fosse uma pessoa, qual seria o dia e horário de nascimento? O da postagem do convite no Orkut? O da reunião que não houve? O encontro na praça de alimentação do Benfica (as primeiras conversas e primeiras impressões)? As 13:00 exatas, quando começou a rolar o tempo do estúdio? Quando ligávamos os instrumentos, já éramos uma banda? E quando terminamos os ensaio? O exato momento de nascimento não da pra precisar, mas o dia em que comemoramos ficou o dia 11 de agosto. Engenheiros do Hawaii nasceu num dia 11, só que de janeiro. Coincidência? Destino? Era pra dar certo? Quem sabe?

Somente no segundo ensaio tivemos alguns convidados e a chance da primeira foto da banda reunida, dai em diante os convidados começaram a virar amigos e a banda começou a ganhar seus primeiros "de fé". Veio também o primeiro show, começamos bem em uma igreja onde o padre era pop e tinha um teclado encima do altar, lá dissemos que o céu era só uma promessa, fizemos prece para Freud Flintstone e dissemos que o Papa é Pop, ainda bem que os paroquianos estavam ansiosos demais pelo bingo do frango que ia rolar e não achou ruim nossa música "profana" em ambiente sagrado.

primeira foto com a banda toda

#defé - Mirelle e Alanna

#defé - Talita

#defé e madrinha da banda por ter nos batizado - Camila

#defé (no primeiro show) - Ton, Thayanne, Camilla, Alanna

#defé esperando horas a fio madrugada a dentro pelo show da Guardas - Isadora e Iasodara
O tempo foi passando, vieram os shows, e foi bom ir conquistando espaço, comemoramos nosso primeiro ano com Gessinger, Licks e Maltz sabendo de nossa existência e até nos parabenizando. Mas destino certo para tudo que nasce, chegaram as mudanças. No final de 2009, entre coisas internas da banda aconteceu a saída do Luis da banda. Continuamos algum tempo como trio com o Walter. Tocamos em Quixadá, primeira viagem, e fizemos um show não muito satisfatório na primeira edição do Coverama Ce. Depois disso Walter se afastou da banda, casou e foi morar com a esposa no interior. Entrou na banda Ítalo Ribeiro, nosso atual baixista. Com ele ganhamos nova dinâmica, aos poucos as pessoas foram curtindo de novo nosso som após meses parados e sumidos e começamos a ganhar novos amigos, novos de fé e novos horizontes. Depois de um 11 de agosto, aniversário de dois anos, apagado sem saber o que seria da banda, completamos três anos em grande estilo tocando ao lado de um ídolo... Carlos Maltz.

Humberto e Tiago com a camisa de 3 anos da Guardas - Natal - RN


com Carlos Maltz e Marcus Melgar no backstage do GF 3 Anos, já com Ítalo no baixo

final da festa, com Carlos Maltz

Antes de prosseguir, uma história. Não me recordo os nomes da história original, então vamos com um pirata conhecido por todos nós:

"Jack Sparrow tinha um famoso navio, o Pérola Negra. Todos falavam do Pérola, por ser o melhor e maior navio de combate. Só que um dia, com nova tecnologia de poder de fogo disponível, Jack trocou todas as armas do navio. Ainda era o mesmo Pérola Negra? Depois, viu que as velas precisariam ser trocadas pois o tecido estava se rasgando com a força do vento. Com as novas velas, o navio ficou menos Pérola Negra? Em uma grande batalha, a embarcação ficou bastante deteriorada, se fazendo ser trocada toda a madeira de um lado do navio. Jack aproveitou e trocou logo a madeira do navio inteiro. Ainda estamos falando do Pérola Negra original?"...

Com as mudanças que a vida nos traz, continuamos os mesmos, ou mudamos a ponto de perder a identidade? O que nos mantém como Guardas da Fronteira. Como estaremos daqui pra frente? Quando chegarem mais filhos, mais trabalhos, mais cabelos brancos, mais obrigações, quando mais pessoas se forem, quando novamente for preciso largar tudo, seremos os mesmos? O que é de fato uma banda, quando ela nasce, quando ela morre? Até hoje pra mim, a amizade é fundamental pra continuarmos juntos e já pensarmos preliminarmente nos 5 anos. Algo que nos leva a continuar quando tudo conspira para desistir, algo que não se pode explicar mas só nos leva a cantar, talvez aquela "força estranha" que se canta. O que pode explicar o que acontece quando plugamos os instrumentos e soamos o primeiro acorde? O que explica uma escolha feita que deixou utras tantas no plano das idéias?

"Nós não precisamos, saber pra onde vamos, nós só precisamos ir!"

Dia 10 de agosto, estão todos convidados a "ir" também.

Todos convidados (clique pra ampliar e ver as informações)
PS: um grande abraço também aos amigos que já passaram pela Guardas e a outros tantos sempre presentes no dia a dia:

Henrique Studart que nos deu uma força pra melhorar nosso desempenho como músicos, e Rubens Rodrigues, fotógrafo e de fé, já deu uns cliques valorosos pra banda (não estão nos nossos arquivos de fotos)

Suzana Campos, sempre acompanhando e fotografando,  Henrique Riedel, amigo que já tirou um som com a gene e grande o Rafa Carfê, o ximbinha, sem mais! rsrsrs

Rafaella Barrocas - tocou bateria conosco

Gleisinho Monteiro - batera, seguiu viagem conosco em Mossoró - RN

Jefferson Gê - se garantindo no baixo

Léo Porto - o mr. Coverama CE, nos abriu vários caminhos
Guilherme Dantas - o Mr. Sempre Ler: parceiraço, direto da serra gaúcha!
Maurílio Fernandes e a galera da Empire que foram fundamentais para concretizar a  vinda de  Carlos Maltz à Fortaleza

Maíra Araújo (de óculos, ao lado da garota de amarelo) - nos abriu as portas da Saraiva Megastore duas vezes e nos deixou ajudar a cuidar do Humberto na sessão de autógrafos em Fortaleza




E A TODOS VOCÊS DE FÉ QUE NOS ACOMPANHAM, AQUELE SUPER ABRAÇO! =)

domingo, 29 de julho de 2012

Déjà-vu nunca visto


Já faz algum tempo que tenho dedicado instantes a mais de reflexão sobre déjà-vu nos momentos ociosos que vez por outra aparecem. Essa sensação de estar em algum lugar ou situação tem algumas explicações, nunca procurei algo mais concreto sobre isso, mas já me falaram algo sobre. Segundo a Wikipédia "Essa sensação se dá por conta que uma memória ou uma simples lembrança de algo que aconteceu rapidamente, fique armazenada em sua memória de longo prazo, sem passar pela memória imediata, ou seja, você guardou uma lembrança de algo, que você 'não presenciou', ao presenciar novamente você tem a estranha sensação de já ter vivenciado aquele fato". Chega a dar um nó nas idéias quando a gente lê.

Quem fala sobre temas semelhantes é Carlos Maltz, músico, psicólogo, astrólogo (fundador dos EngHaw). Em seu livro, o Abilolado Mundo Novo, uma das várias discussões que são levantadas é a da coisificação do ser humano. Por exemplo, racionalizar demais (isso seria bom ou ruim?) o funcionamento do ser humano e de sua "caixola", ter remedinho pra isso e pra aquilo, pra qualquer probleminha que surja na vida do cara e o mesmo não aguente. Como um professor meu da UECE fala, o ser humano moderno (ou pós-moderno) não quer sentir dor. Quem de nós quer, quando tem dor de cabeça, esperar pra ver se passa sem um remedinho? Nosso ritmo de vida não nos permite mais esse luxo, a não ser no fim de semana que você ta em casa relaxando. Putz, mas ai você não quer perder teu tempo de repouso com uma dor de cabeça. Enfim, voltando ao assunto inicial. Pode até ser que psicólogos, analistas e outros estudiosos afins tenham se dedicado sobre o déjà-vu e conseguido encontrar explicações, racionalizar o que outros mistificam. O fato é que realmente é uma sensação estranha quando você para pra pensar em alguns desdobramentos que ela possa acarretar.

Explico! Minha inquietação está no fato de que nem sempre você tem aquela sensação momentânea, por vezes a pessoa sonha com algo e esse algo acontece. Comigo mesmo já aconteceu algumas vezes, eu sonho com algo, lembro do sonho após acordar e aquela cena se repete tal qual no sonho, e não necessariamente no mesmo dia, semana, mês ou ano. A primeira vez que eu me lembro que isso aconteceu comigo foi por volta de 2005 quando eu fazia cursinho pré-vestibular, no sonho eu estava na esquina em frente ao IJF no centro, passava uma senhora negra com filhos e me pedia alguma informação que eu não sabia, ela seguia, depois vinha uma garota em minha direção. O sonho aconteceu tal qual em um dos domingos que tive aula pela manha no centro, estava esperando o transporte de volta pra casa e o resto vocês já sabem.

Algumas das vezes que tive déjà-vu não consegui distinguir se foi só momentâneo ou se foi algum sonho como o que relatei acima, como no dia em que fui a uma festa junina com minha noiva em um clube na Praia do Futuro. Eu sai de minha casa, ela da dela com a família, então eu voltaria também sozinho pra minha casa. Nunca havia estado naquele lugar, mas quando ela me levava ate a saída passamos por um determinado ponto do clube que me veio aquela sensação de ter estado ali já com ela. Dessa vez foi um pouco mais intensa a sensação, pois foi algo como se de repente eu acordasse e estivesse ali.

Poderia citar alguns outros exemplos que aconteceram comigo, mas não é essa a intenção. Como explicar então essas situações de sonho? Essa espécie de previsão involuntária do futuro. Esses lances de destino, etc. No twitter, Maltz também discutiu essas temáticas de destino nos questionamentos que ele lança aos seus seguidores e vice-versa. Conclusão, até agora nenhuma, pelo menos para mim. É difícil racionalizar certas coisas, como esses lances de destino, livre-arbítrio, predestinação, etc. Recentemente alguma situação que eu sonhei há muito tempo aconteceu tal qual o sonho e, ironicamente, neste exato momento em que digito não lembro exatamente o que foi. Mas o que mais me motivou a escrever sobre isso foi um sonho que tive recentemente, um desses sonhos com clima de realidade. Estava com algumas pessoas, não lembro quem, só lembro que minha noiva estava comigo e aparentemente estávamos em um restaurante. Eu estava com o cabelo bem maior do que o normal, de um modo que acho improvável que ele fique (por conta do meu tipo de cabelo). Realmente tenho deixado meu cabelo crescer mais, pra ver no que dá e pra mudar um pouco. Dai veio o pensamento: esse sonho pode vir a se tornar realidade se eu quiser, basta continuar sem cortar o cabelo e quem sabe ele fique como estava no sonho e eu esteja na situação que sonhei. Poderá uma pessoa saber de seu futuro, mesmo que seja um fato corriqueiro, e estar aguardando conscientemente sua chegada? Poderá também uma pessoa, sabendo de seu futuro, mudá-lo ao seu bel-prazer? No meu caso seria mais fácil seria apenas cortar o cabelo.

Pra encerrar, duas histórias:

1 - Meu pai me contou certa vez uma história cuja moral seria que o homem não pode fugir de seu destino. "Certa vez um camponês viu a morte o rodeando aonde quer que ele fosse, na fazenda onde trabalhava, no mercado, na rua, etc. Ele relatou ao seu senhor a situação e pediu permissão para que fosse descansar um pouco na casa de seu pai, em um lugarejo um tanto mais afastado, assim fugiria da morte que o estava rondando. A permissão foi dada e assim aconteceu. Após o camponês ter viajado, o senhor encontrou com a morte na rua e, destemido, a abordou: escuta, não adianta mais ficar rondando minhas terras, meu servo nem aqui está mais, por favor deixe-o em paz. A morte respondeu: não se preocupe, estou por aqui há algumas semanas, mas não vim por seu servo, a hora dele não havia chegado ainda, a hora dele será logo mais na casa de seu pai".

2 - Nos meus semestres iniciais na UFC, ainda na ânsia por me sentir pertencente a um mundo diferente (a universidade), a papos mais cabeças, enfim, algo com uma expansão do universo (uma visão ainda ingênua e romantizada de um jovem calouro), mesma época em que eu comecei a compor, escrevi uma música chamada "Ao som de Jude", que falava um pouco de uma sensação legal que tive na primeira calourada que fui. Era uma festa de natal na reitoria com um cover de Beatles, e quando a banda cantava o la la la de Hey Jude, a energia do lugar foi incrivel, coisas de jovem calouro. Enfim, entre alguns beijos hetero e homossexuais que presenciei, coisa que não falta em calourada é maconha. Um trecho "rebelde" da música se refere a maconha que presenciei ser fumada (nunca experimentei, apesar das oportunidades) e diz "ao som de Jude acende-se o fogo, canta a juventude, ouve-se sua voz". Lembrei exatamente deste trecho enquanto assistia Paul tocar Hey Jude após a tocha olímpica ser acesa... "ao som de Jude acende-se o fogo"... (você está pensando no que eu estou pensando B1?..) Pode ser pretensão minha um pensamento assim, mas... por que não?

Live and let die!

domingo, 22 de julho de 2012

O outro lado da moeda

Estava descendo no elevador enquanto anoitecia. Horas se passaram como segundos naquela tarde e, apesar de ter sido uma tarde maravilhosa, enquanto reparava os números decrescendo com os andares no painel uma nostalgia sem fim me tomou por inteira, coisa que não sentia desde a infância. A diferença é que na infância nostalgias eram sem razão, não tinham nome e sobrenome como agora. Saindo do elevador sem coragem de sair pra rua, voltar pra casa, voltar a vida normal, sentei no sofá do saguão e liguei pra você. A espera que alguém atendesse me fez o coração acelerar e me trouxe lágrimas aos olhos, daquelas que sempre estão acompanhadas de um nó na garganta. Quando finalmente você atendeu só perguntei se podia me ajudar a chegar em casa, marquei em um lugar próximo aonde estava pra não dar bandeira e fui te esperar. Na saída passando em frente a um espelho vi que minha aparência estava horrível, roupa amassada, cabelo assanhado, pensei então que quando você me visse, depois de já ter ouvido minha voz trêmula, iria se perguntar o que tinha acontecido comigo, mas não havia tempo para reparos e assim mesmo fui.

Quando entrei no carro você não perguntou, mas seu olhar de espanto não negava a surpresa negativa, não em tom acusativo, mas preocupado. Foi engraçada a primeira conversa pois lembrei de um filme qualquer que vimos certa vez, onde o cara levava a garota em apuros para comer, querendo criar um clima romântico, você havia me perguntado se eu estava com fome, de fato não estava com fome naquele instante, mas não comia nada desde o almoço e decidi aceitar o convite, até pra ver se você iria querer imitar o tal filme. Não foi surpresa, diria até que foi previsível você desistir de bancar o conquistador e me levar pra comer em um shopping. Não sei porque, já que não tinha, ou pelo menos acreditava que não tinha nenhuma expectativa além de chegar logo em casa, mas ir pra um shopping me deixou um tanto decepcionada, a fome que não era das maiores sumiu por completo e ao sentarmos à mesa quando disse que preferia não comer nada me espantei com o tom severo que usou quando falou que "ou eu comia ou você me deixaria ali e ia embora". Não sei se era brincadeira, não sei se era sério, se você tinha se chateado por eu desistir de comer  só depois de estarmos ali naquele lugar. Foi uma surpresa, um impacto pra mim eu diria, pela primeira vez eu não sabia exatamente o que você queria dizer, pela primeira vez eu te via como a um estranho, até mesmo quando nos conhecemos, seus trejeitos e sua forma de lidar comigo te puseram em minhas mãos, resumindo, eu não estava mais no controle.

Enquanto comia, você ficou apenas olhando, ao menos a conversa fluiu um pouco mais. Nesse instante já nem lembro o que conversamos direito, só lembro que quando estávamos a caminho de minha casa o silêncio imperou. Passada uma dezena de semáforos em silêncio, olhei pra você e você sorria um sorriso tímido e escancarado, o que me levou a sorrir também. Sorri pois pela primeira vez em que me senti fora do controle, na verdade eu não estava. Podia ser 18h, como era quando você me buscou, ou uma da manhã, você iria estar ao meu dispor, talvez até mais do que esteve, pois se eu chamasse de madrugada o caso poderia parecer ser mais urgente. Fiquei feliz por estar novamente no controle, mas fiquei mais feliz ainda por perceber que naquele momento mesmo sem que tivéssemos nenhum tipo de relacionamento eu senti que recebi mais carinho de você naquela meia hora um tanto tensa do que uma tarde inteira com a pessoa com a qual de fato estive.

Nos olhamos estranhamente e antes de eu descer trocamos um abraço frio. Desci, bati a porta e quando me virei já não havia sorriso em seu rosto. Não sei se te perdi de vez agora, mas o silêncio que ficou e a imagem de seu carro se distanciando na rua deserta pareciam responder que sim.

domingo, 8 de julho de 2012

A melhor lembrança de nós dois

Devo assumir que já esperava, mesmo após o final inesperado, que você me ligaria quando estivesse em alguma dificuldade. Confesso também que estava por perto pois nunca estive longe, estava sempre observando, a postos, esperando o momento certo no qual ceder não era questão de escolha, era a única opção. Me vi em meio a um dos tantos filmes de relacionamentos neuróticos que assistimos, não esperava um dia estar na mesma situação. Apesar de pouco tempo, tivemos tempo suficiente para um grande estrago. Um segundo ao telefone foi mais do que o necessário pra que tudo virasse nada. Agora, mais uma vez ao telefone, tenho a chance de ouvir novamente certas palavras que por mais suplicantes que fossem, para mim só diziam "não te esqueci". Quem dera, o que ouvi no entanto foi um lamentado "me ajuda".

Não quis saber de que tipo de desventuras tive que salvá-la, apenas cheguei o mais rápido que pude no local solicitado. Com os filmes que vimos lembrei que nestas ocasiões leva-se a pessoa vulnerável para algum lugar em que se possa pedir algo para comer mesmo que não se coma, o alimento serviria tão somente de pretexto para conversar enquanto ele ficava pronto, criar o clima de romance e interrompê-lo com a chegada do garçom, esquecendo assim que estávamos a um passo ou um gesto de recuperarmos o tempo perdido. Me ofereci então pra levá-la para comer algo, até porque sua aparência estava lamentável. A modernidade porém destruiu tudo que aprendi com os filmes que tanto assistimos e fomos a um shopping. O mais impessoal dos lugares para pessoas que precisavam reencontrar-se consigo mesmas. Sem clima, sem garçom para interrompê-lo, malditos fast-foods! O silêncio inicial cumpriu seu protocolo, normal após algum tempo distante, no entanto entre uma mordida e outra começamos a falar naturalmente, eu de coisas que fiz nos raros momentos em que não me via destruído, em contrapartida soube também de um lado interessante de sua vida sem que me desse a conhecer o motivo pelo qual estávamos ali. Comecei a compreender que realmente iria só levá-la pra casa e, apesar de estar ficando mais descontraido, de certa forma estava me dando conta de que errei em fazer esta pausa para um lanche. O nível de descontração me deixou soltar uma brincadeira mais rude, ameaçando fazer algo caso você não se alimentasse direito, talvez nosso nível de desconhecimento, após tanto tempo, tenha feito a falsa ameaça soar mais rude do que nossa extinta intimidade permitia e te deixei apreensiva, realmente crente que eu a iria abandonar. Foi o suficiente para nos entendermos sem palavras e, certos de que não queríamos essa proximidade tão estranha de desconhecidos de infância, levantamos e tomamos o rumo de casa. Ok, me corrijo, de sua casa.

O silêncio que tanto nos separou enquanto estávamos juntos fez o papel oposto durante o trajeto para sua casa. Depois do estranho reencontro nada mais natural que, calados, cada um revivessem em pensamento os momentos que fizeram daquele estranho vazio algo chamado amor. Se eu pudesse nos ver como na cena de um daqueles filmes, diria que aos poucos nossos semblantes deixavam a dor de lado, ganhavam novamente certa leveza, timida por certo, seria pedir demais um sorriso que denunciasse ao outro o que sentiamos nas entranhas. Nada traduz a troca de olhares antes do abraço terno, nem o abraço terno antes de você saltar do carro, pela primeira vez nos entendiamos. Talvez agora possa me sentir livre. talvez agora possamos estar livres finalmente um para o outro. Talvez estejamos livres para sempre de tal maneira que a mais pérfida desventura te faça lembrar, não sei por qual motivo, de meu número de telefone, assim como eu poderei estar livre para não querer receber tua chamada. Ao menos pude perceber que pela primeira vez nos entendemos, e que o sentimento foi deveras verdadeiro. Mesmo que vá sem retorno após bater a porta e tudo que senti até agora volte a me destruir, até mais intensamente que antes, posso agora dizer que nesse encontro desconcertante pude guardar a melhor lembrança de nós dois. Vá.

(André Ramos - 08.07.2012)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O que pode ser dito em 3 minutos (para Humberto Gessinger)

Todos aqui presentes devem ter uma pessoa com a qual desejam estar próxima pelo menos pra bater um papo, trocar umas idéias, tirar uma foto ou receber um autógrafo, todos devem ter um ídolo (ou todos devem ser fãs de alguém, para quem achar a palavra ídolo muito forte). Algumas das pessoas que frequentam o blog tem em comum comigo o fato de admirarem o trabalho (e/ou a pessoa) de Humberto Gessinger. E é sobre esta relação de fã que venho mais uma vez divagar nas linhas (e entrelinhas) deste singelo blog.

Acho que, como eu, várias pessoas gostariam de estar com o Humberto por alguns instantes, tirar uma foto, poder conversar, ser lembrado por ele, "evoluir" de um "de fé" para um "de casa", resumindo ser/estar mais próximo dele. Acho também que, como eu, a maioria dessas várias pessoas deve ter tido no poucos instantes pra falar com HG e tentar transmitir (sem despejar) um turbilhão de coisas que se sente quando se encontra com ele, principalmente se for a primeira vez. Os "3 minutos" geralmente não dão pra se falar tudo o que se quer, hoje quero compartilhar com vocês coisas que sempre tive vontade de compartilhar com HG de minha vivência EngHaw.

Conheci Engenheiros do Hawaii no final de 1999, ainda lembro de cada passo de um sábado que, sem nada pra fazer em casa, fui à casa de uma tia que mora na mesma rua que eu e lá encontro uma prima que lá morava escutando o Tchau Radar. Ela me oferece a coletânea Acervo pra que eu leve pra casa e ouça, começou ai minha história com EngHaw. Em fevereiro de 2000 ganhei de aniversário de uma irmã o mesmo cd da coletânea Acervo, meu primeiro cd EngHaw! Dai em diante passei a acompanhar o site sempre que podia, internet ainda era "à lenha" (discada) e um negócio raro para mim nessa época. Ficava sempre na vontade de participar dos chats dos dias 11 e não podia pois eu só acessava a internet do escritório do meu pai e ele saia de lá por volta das 18h, além disso o prédio fechava no mais tardar às 21h e os chats eram entre 22h e 23h. Um dia, no entanto uma ótima notícia: show dos Engenheiros em Fortaleza!!!!! Já estava na época do 10.000 destinos, o primeiro cd dos engenheiros que vi nascer. A ansiedade foi tremenda pra um guri de 12 anos, no entanto haviam ainda alguns desafios a serem superados! Como chegar no meu pai pra falar, como pedir pra ir a esse show? Felizmente o show era no Ginásio Paulo Sarasate e tinha lugar pra ver o show sentado. Conseguimos comprar o ingresso a 12 reais no dia do show mesmo na farmácia Pague Menos da Senador Pompeu, perto da Praça da Bandeira. Lembro que na tarde do grande dia meu pai ainda não tinha recebido um dinheiro que estava esperando pra poder comprar os ingressos, sai do escritório dele, perto da catedral, no Centro, pra ir fazer alguma coisa pra ele pela Praça do Ferreira. Quando terminei o que tinha de fazer liguei pra ele pra saber dos ingressos e finalmente a pessoa já estava com o dinheiro. De onde estava fui buscar, saí correndo e quando estava chegando na descida do calçadam C Rolim dei um pulo (estilo HG) de tanta felicidade. Resultado: me estabaquei no chão e passei maior vergonha, ao menos os ingressos estavam garantidos. Quando cheguei e vi o palco com o tema do 10.000 destinos não acreditei que estava ali e me perguntava se eram realmente os Engenheiros do Hawaii que eu gostava ou se eram outros. Quando Humberto entrou no palco tive certeza. O show foi ótimo, assisti das cadeiras com meu pai, o filme da câmera fotográfica queimou e não se salvou nenhuma foto e peguei uma baita gripe com febre e tudo que eu tinha direito. Lembro ate do que tomei por lá: 1 icekiss e 1 refrigerante durante o show e na saída 1 espiga de milho cozido (rsrs). As únicas fotos que consegui na época foi do site "Parabólica Hawaiiana" do WebRing do site dos Engenheiros.



No ano seguinte teve show, ainda da tour 10.000 destinos, na barraca Cuca Legal, na Praia do Futuro. Foi minha primeira grade, meu pai esteve lá comigo de novo, um cara subiu nas costas dele, me ofereceram maconha e uma garota mais velha que eu (entre 18, 20 + -) puxou assunto comigo perguntando sobre o quanto eu gostava de Engenheiros, o que eu tinha de Cds (nessa época eu já tinha vários) e disse pra galera dela que eu era "mó limpeza". Nesse show aconteceram duas coisas das quais nunca me esqueci: 1 - quando HG tocava Alivio Imediato, "que a chuva caia"... a chuva realmente caiu, leve, "como uma luva (...), um delírio"; 2 - Humberto apoiou-se em um retorno que estava bem na minha frente e ficou tocando baixo lá, por uns 10 segundos ele estava lá bem perto de mim, e por uns 3, 4 olhou bem nos meus olhos, talvez pensando "pô que guri novo ai embaixo". Não preciso nem dizer que olhei bem nos olhos dele nesses 3, 4 segundos e que no restante e nos outros segundos que fecham os 10 também. Ainda hoje lembro perfeitamente da imagem daquele cara enorme olhando pra mim. Pra salvar o dia, mais uma vez o site "Parabólica Hawaiiana" pos fotos do show, sendo que uma delas foi desse exato momento; vocês podem argumentar que a foto pode ter sido de qualquer outro momento que ele se apoiou no mesmo retorno, mas a imagem está tão clara na minha mente que olhando pra foto tenho certeza de que foi a hora que ele olhou pra mim, além daquele sexto sentido que vem reforçar a certeza. Confiram a foto logo abaixo:


Na época enviei alguns emais pro Humberto (pro email que tinha no encarte do 10.000 destinos) tentando mostrar pra ele que eu era aquele garoto que ele viu naquela determinada hora, pra ajudá-lo a lembrar mandei uma única foto minha que eu tinha escaneada e essa foto do show. Pura inocência... (sim, nessa época ainda existiam algumas crianças inocentes e sim, nessa época pra boa parte da população ter foto em computador, só escaneando, e olhe lá). Nunca tive resposta desses emails, mas até hoje penso qual seria a reação Humberto se tivesse chegado a ler meus emails.

Um tempo após esse segundo show entrei para a COT (Comunidade Católica Obreiros da Tardinha) e diante de todo entusiasmo uma das coisas que fiz (até por ser do ministério de música) foi renunciar a música do "mundo". Deixei então TODOS os meus cds com a mesma prima que me apresentou a EngHaw. Foi um deixar do tipo estou querendo te dar, pois tenho que renunciar, mas to só deixando contigo, mas não quero mais pegar de volta. Resultado: ela vendeu todos, menos o Acervo (sim, aquele primeiro que ganhei) e até hoje ainda não consegui comprar de novo um Tchau Radar...

Os 3 anos que passei na COT apesar de todo meu envolvimento não me fizeram esquecer de vez os Engenheiros. Perdi todos os Ce Musics que eles tocaram, todos os shows do 10.001 destinos até a finaleira do Acustico MTV. Voltei a escutar aos poucos depois que saí da COT pra estudar pro vestibular, aos poucos consegui comprar todos os cds novamente, com excessão do Tchau Radar, e os 8 LP's. Meu retorno aos shows foi em 2006 no Ar Livre, nessa época já tinha câmera digital, mas eu só tinha a minha câmera velha de guerra e também nenhuma foto prestou. Dessa vez fui salvo pelo Festa.Net.


Depois do Ar Livre não faltei mais a nenhum show, e além disso, viajei com Isadora, minha amiga pra São Paulo pra ver o segundo dia de gravação do Novos Horizontes, ótima viagem, ótimos passeios e (claro) ótimo show, além de conhecer alguns de fé por lá, inclusive de Fortaleza.








De volta a Fortaleza, fui ao show do Arena em 2007 com direito a ver parte da passagem de som encima do palco como penetra ao lado de meu amigo, Ridson, além de puxar a cortina do palco e tirar uma foto do HG durante a mesma passagem de som (antes de subir), ainda lembro a cara que ele fez: olhou com uma cara "quem são esses doidos", deu um sorriso e alguém fechou a cortina. Pra ficar completo o pacote, também fui expulso do palco.




Foi anunciado meio que de última hora um show em Sobral, elétrico, com HG de volta ao baixo. Consegui encontrar com Humberto pela primeira vez no dia que ele voltou de Caruaru pra Fortaleza pra esperar o dia de seguir viagem para Sobral, levei comigo minha amiga Alanna, a mesma que criou comigo a teoria do "nada leva a lugar nenhum" que falei em uma postagem anterior, a partir daí viramos companheiros nas missões de tentar descobrir em que hotel HG estaria hospedado, já chegamos até a comprar catão telefônico pra ligar de um orelhão hotel por hotel, rsrs. No show de Sobral conheci minha "perfeita simetria", Mirelle, que hoje é minha noiva, vale ressaltar que os dois tinham motivos de sobra pra não por o pé na calçada de casa, quanto mais ir a um show em outra cidade... tinha que ser.






Aprendi a pintar camisas pra poder ir com uma camisa personalizada ver a gravação em São Paulo. Na possibilidade de encontrar com HG em Fortaleza entre o show daqui e o show de Sobral, fiz uma camisa pra ele com uma charge estilo Simpson. O momento foi único, fui realmente incrível estar com ele, foram algumas horas de espera até a hora do susto de ver descendo da van. Ainda assim, fiz questão de chegar até ele, cumprimentá-lo, me apresentar e só depois pedir fotos / autógrafos. Ele foi super... Gláucio, Aranha e Master também.


Alguns meses depois, em julho de 2008, show Novos Horizontes novamente em Fortaleza no Parque do Cocó. Em agosto eu entrei para a banda Guardas da Fronteira, cover de Engenheiros, nascida na comunidade EngHaw Ce do Orkut. Um ano depois após aperreá-lo um bocadinho, consegui que HG me mandasse um vídeo sobre o aniversário da Guardas da Fronteira pra passar em nossa festa de aniversário. Ele montou seu equipamento em casa e tocou com violão, gaita e bateria eletrônica a canção Guardas da Fronteira. Passei umas duas semanas sem acreditar que ele tinha feito isso pra nós aqui e assistia umas 20 vezes por dia, todo dia, até conseguir acreditar.





Mais que nunca agora eu estava de volta ao mundo EngHaw, e agora já tinha algumas "desculpas" pra tentar fazer com que HG lembrasse de mim, sempre perguntava então onde podia se ele lembrava daquele garoto que tinha dado uma camisa com charge estilo Simpsons pra ele e, depois de certo tempo, pude encontrá-lo novamente e agradecer pessoalmente pelo vídeo que ele gravou. Nesse meio tempo recebi por engano um email dele falando sobre abertura do show do Pouca Vogal. Pra um cara que tem uma banda receber um email de Humberto Gessinger com "abertura BH" no assunto, era de se ter um infarto! Quase tive, e para voltar a realidade, o email tratava de como sinalizar a introdução instrumental do show do PV. O email era pra ir pro Duca, Alemão e Master. Entendi logo, meu email começa com master, na hora ele confundiu de master. Era dia das crianças, respondi a ele falando sobre o engano e dizendo que era um baita presente de dia das crianças um email assim, mesmo que por engano. Em 2010, teve show do Pouca Vogal aqui em Fortaleza, foi quando agradeci a ele pelo vídeo.



No carnaval de 2011 viajei a Gramado-RS com Mirelle, na ocasião a pedi em noivado. HG havia falado que iria estar na serra também, tentei encontrá-lo lá mas não rolou, ele não chegou a ir, mas me respondeu alguns emails sobre o assunto e ma parabenizou pelo noivado, nada pode ser maior!

Gramado se tornou também mais um pretexto pra que ele lembrasse de mim (e agora de minha noiva também). Sempre que encontrava com ele tentava falar de algum lugar que ele já havia me visto mas me enrolava todo e acabava sempre esquecendo de falar algo, ou não falava como queria, eram os tais "3 minutos" que não deixavam eu falar tudo. Vejo alguns fãs que, merecidamente, devido a muita dedicação mesmo, conseguiram estar mais próximos do Humberto, indo a passagens de som, a camarins, encontrando por ai e até recebendo visita do HG em casa. Não quero parecer invejoso aqui, mas eu sempre pensava, e ainda penso: pô, eu também posso um dia chegar "nesse nível", posso estar perto assim do meu ídolo... Só que por outro lado eu me perguntava, se um dia eu estiver assim, o que vou falar com ele? Em maio desse ano, ele esteve em Fortaleza como a maioria de vocês já sabe. Como sabem também (até porque foi assunto de outra postagem) eu estive umas duas horas com ele na sessão de autógrafos. Só que ali tão perto e tão longe, sem poder falar nada com ele, e quando tudo terminou eu tive que ir pegar a van que vinha pegá-lo e não tive como falar direito com ele. No outro dia estive na passagem de som e consegui falar quem era, que era eu o garoto que tinha noivado em Gramado, ele respondeu "ah, to ligado", peguei um atógrafo que seria presente de dia dos namorados para minha novia e logo ele foi embora. Falei tudo embolado, quis que ele lembrasse de mim dizendo que estava ajudando na Saraiva, falando que era o "noivo de Gramado", etc, e acabei não falando nada de útil... eu teria algo de útil a falar? 

Sei que alguém que nunca esteve com HG pode achar que estou reclamando de barriga cheia com tantas histórias pra contar, mas ainda busco esse algo a mais, mesmo sem saber direito o que fazer com ele. Quem sabe daqui pra frente, na próxima vez que ele vier a Fortaleza, em uma futura possível ocasião em que eu o encontrar em outro contexto ou quando eu souber o que falar. Uma coisa que HG fala sobre sua relação com fãs é que se torna difícil as vezes pois os fãs o conhecem e ele não tem como conhecer mais a fundo os fãs. Concordo com ele e, talvez por concordar, sempre tenha tido vontade de contar tudo o que estou escrevendo aqui, deixar me fazer conhecer. Talvez até essa postagem inconscientemente (ou não) seja uma tentativa mais de fazer com que ele saiba um pouco da história desse fã e de como eu tenho vivido EngHaw e como seu trabalho tem influenciado minha vida e dado frutos, como ter conhecido minha noiva, por exemplo. Espero um dia saber aproveitar os 3 minutos e ter o q falar nestes 3 minutos.

Sempre que posto deixo o link da postagem no twitter do Humberto com a seguinte mensagem: me permite fazer um convite a leitura? Hoje convido a vocês a comentarem, como sempre tem feito, e a contarem também experiências e anseios como esses que dividi com vocês hoje. Quem sabe também deixar um convite a leitura pro HG pra ver se ele conhece um pouco mais de nós. Fica o convite, gostarei muito de ler sobre outras vivências EngHaw e torcerei para que HG apareça também por meu convite ou de vocês. Até o próximo domingo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Nunca é tarde para a poesia!

Postagem "mea culpa"! Quando estava dando uma olhada no material pra postar domingo passado, esqueci de olhar no inbox do facebook o link que a de fé Bruna Nogueira havia me enviado com suas poesias. Realmente senti falta de algo enquanto escrevia a ultima postagem, mas somente ontem consegui "lembrar do que esqueci"!

Ao menos algo bom no esqecimento, um bom título para uma postagem que deveria ser apenas uma correção, um complemento do que não saiu na anterior, me fez pensar e encontrar "um sentido escondido". Realmente nunca é tarde para a poesia, a qualquer momento ela é bem vinda à vida, não importa o quanto esta possa estar deteriorada, um pouco de poesia a revive.

Nunca é tarde para dar uma olhada então nos escritos da Bruna Nogueira, bastar clicar aqui!

PS: Aproveitando a postagem, deixo para vocês o vídeo da canção "Felicidade" do cantor Marcelo Jeneci, recém descoberto por mim por intermédio de minha noiva. Para quem busca alternativas para as músicas bam bam bans que temos que ouvir porque tocam a todo instante em todo lugar, é uma boa canção, um bom refúgio.

domingo, 24 de junho de 2012

Vem cá, eu te conheço?

Essa semana foi uma semana de observação, sempre falei aqui que tinha curiosidade pra saber quem movia os contadores do blog. Hoje já posso dizer que conheço alguns dos responsáveis, escrever semanalmente faz com que algumas pessoas e principalmente alguns amigos apareçam sempre para trocarmos algumas idéias, jogar conversa fora e pensar na vida... A semana foi de observação pois domingo passado algumas pessoas jogaram outro jogo comigo dando a cara a tapa, mostrando trabalhos em fases "vídeo do Bin Laden" como o meu (como diria Humberto Gessinger), fases demo, estúdio, ao vivo, etc. Independente do que ou como, alguns escribas mostraram que querem sim pena pra escrever, que tem seu recado pra dar. Ao longo da semana observei algumas coisas interessantes, como nunca anoto idéias pra postagens vamos ver se consigo lembrar de todas.

Na euforia pós-postagem falei com alguns amigos pelo facebook, alguns acessaram com ânimo, outros meio indiferentes, outros até falaram algo do tipo "tenho que ver ainda sua música pra saber qual é o lance, se está em sintonia com minhas idéias pra poder compartilhar ou não entre meus amigos"... BUFO! (rsrsrs) Não tiro a razão da pessoa, eu também não compartilho "qualquer coisa", mas havemos de convir que há respostas que não esperamos para certos momentos, pelo menos a pessoa tem personalidade! Para alguns amigos que sei que teriam coisas interessantes para mostrar por aqui, fiz o convite para me mandarem algo ao longo da semana, uma amiga me mandou, quase uma dezena não deu sinal. Alguns sei que não enviaram por conta de afazeres, outros, mistério. Como falei domingo passado, esse blog não é algo que va láá trazer fama sucesso e riqueza, mas vale mais compartilhar entre amigos, mas não vou me estender nesse assunto senão vou escrever um texto dentro de outro.

Falando de números, mesmo postando no final do domingo (horário nada favorável), consegui ao longo dessas últimas semanas de postagens frequentes atingir o pico de 769 acessos nesse período, antes disso o maior número que consegui foi de 293. Bom! Principalmente pra alguém que se comparar com outros tantos por ai ainda não é muita coisa. "'Post' Scriptum" teve 114 visualizações, minha música no You Tube teve 103 exibições, 2 comentários e 10 "joinha", rsrs. O vídeo que upei com a música "V" da Theater of Salvation teve 29 exibições e 2 "joinha" no You Tube e Mayra me falou que seu blog teve um bom índice de acessos depois que falei dele aqui. Muito bom mesmo poder reparar nesses números junto a amigos. Ruim é ver que por exemplo, o vídeo de minha música teve mais acessos que o vídeo de "V", analisemos: o tamanho do player do meu vídeo estava maior na página (e isso não foi proposital, copiei o código de incorporação tal qual estava no YT) e era o primeiro. Claro que o conteúdo pode influenciar, alguns podem ter curtido mais um que o outro, mas infelizmente as coisas acontecem hoje em dia como alguém comentou comigo em algum lugar após ler a postagem, quem vai ver teu vídeo, ouvir tua música, ou até um cd de uma banda já consagrada, hoje em dia com os mp3 da vida, não precisa continuar ouvindo o que não gostar, pode passar, pode descartar, "engavetar", etc.

Quem mandou não usar as 3 palavrinhas mágicas? Ninguém (ou quase ninguém) te conhece, ô mané! Infelizmente o jogo ainda é esse, tem mais besta compartilhando besteira por aí que o tanto de besteiras compartilhadas. Não que uma boa besteira não seja bem vinda, tem dias que o negócio aperta que só umas boas gargalhadas de besteiras da internet pra te por no eixo de novo. Talvez não esteja me fazendo entender, vou dar um exemplo. Hoje, voltando para casa, estava escutando pela primeira vez o disco "Wish You Were Here" do Pink Floyd e comecei a pensar... pô, Pink Floyd na sua época não devia ser música de velho, a galera mais jovem é o grupo que mais curte rock, sempre tem sido assim (mas claro que não quero por isso como regra). Hoje em dia quem seria capaz de esperar 4min e 57seg de instrumentais até iniciar a parte cantada da música, quem seria capaz de curtir uma música de quase 12 minutos com a mesma intensidade do início ao fim? Cara, quem ouvia e ainda ouve hoje em dia uma banda como Pink Floyd é a juventude, o que aconteceu com as pessoas, que hoje em dia não conseguem "aguentar" uma música um pouco mais cabeça de 3, 4 minutos, que dirá um Pink Floyd da vida? Ok, sei que há gosto pra tudo e que nos anos do Pink nem todos deveriam gostar dos caras. Sei também que hoje em dia há toda uma coisa antipreconceito, "cada um no seu quadrado", mas ainda assim, não acho que seja muita coincidência que o nível de tolerância musical tenha diminuido em relação a canções mais elaboradas justo em uma sociedade em que vemos a futilidade, os tão queridos tchu e tcha e diversas outras coisas em alta (sem falar de corrupção, educação, violência, política, etc).

Falando de música, digamos que antes os meros mortais não tinham muitas chances de serem vistos pois o negócio era mais fechado, tudo dependia de gravadoras, etc, etc. Hoje em dia a situação continua quaaase a mesma, é tanta gente podendo se mostrar, mostrar seu trabalho, que ninguém é visto e, alguns que ainda conseguem se destacar a ponto de tocar a mão de Mid(i)as, são sugados até onde puderem pela parasiTV pra depois serem substituídos por outras grandes novidades e assim por diante. Claro, também não quero fazer disso regra. É como diria Humberto Gessinger, "quem quiser remar contra a maré tem que remar muito mais forte". De acordo com uma teoria vagabundeana criada por mim, e minhas amigas Alanna e Chiara, nada leva a lugar nenhum! Onde iremos todos parar quando tudo acabar? Brincadeiras a parte e aprofundando essa teoria, de que adianta tantas voltas quando o coração parar de bombear o sangue e começar o processo de decomposição? Nada é uma das possíveis respostas, mas mesmo que realmente no final das contas não adiante de nada, foi necessário o sangue circular pra uma vida existir. Pra essa vida ter valido a pena mesmo sem nada ter chegado a lugar nenhum "deve haver alguma coisa que ainda (...) emocione". E "para nossa alegria" há!

PS¹ - Jogando outro jogo:

"Rubem Braga diz que “ostra feliz não faz pérola”, e eu concordo. Ele explica que a ostra só começa a fazer uma pérola quando existe um grãozinho de qualquer coisa a faz mal, e ela vai revestindo aquele grãozinho até que não mais a machuque. Acredito que o chorar é, na verdade,  é a mesma coisa que Rubem Braga chama de fazer pérolas, é melhor forma de colocar para fora o que nos faz ficar mal ou com medo ou feliz ou que nos proporcione qualquer outro sentimento. Sou chorona. Sempre fui. E o meu choro não é só aquela agua com sal que sai dos meus olhos. Minhas lágrimas também são minhas criações literárias. Deixo aqui o convite para que conheçam minhas pérolas, meu choro, meus textos ou como queiram chamar".

Carolina Carrah


PS²:
Um amigo que sei que teve um motivo justo pra não me enviar nada pra que eu postasse aqui é um de fé que gosta de correr. Robson Moreira é o nome do jovem, ele corre, participa de competições e tal e no fim do ano deverá correr na São Silvestre. Ele participa de um grupo de corredores que vai ajudar nas passagens e despesas da viagem com arrecadação de notas fiscais. Estou já com algumas notas pra ele, quem quiser ajudar doando notas pode falar aqui nos comentários.

PS³:
Nessa história de "vem ca, te conheço", um ex-aluno chegou pra me pedir que curtisse uma promoção pra ele concorrer a um iPhone. Até ai tudo bem, um clique não custaria nada, tantos outros ex-alunos chegaram já pra pedir coisas desse tipo. A diferença foi que eu estava numa vibe de ficar pensando porque pessoas lembram de ti somente nessas horas. A princípio não curti e incessantemente ele tem pedido pelo chat do facebook ou em cada coisa q ele comenta do meu perfil, o que me deixou pensativo não foi o primeiro pedido, mas a insistência, tendo em vista que ele realmente não é de falar muito comigo pelo face. Passei a semana praticamente o ignorando, não por mal, mas pra observar até onde ele ia insistir. Pode parecer que eu estava trollando o rapaz, pra me redimir por tantos pedidos sem resposta, vou deixando por aqui o link pra quem quiser dedicar um segundo da sua vida clicando e ajudando o rapaz. E depois de tanto tempo irei curtir também, rsrs. Link: curta aqui.

domingo, 17 de junho de 2012

"Post" Scriptum

É interessante como quando tu ta falando alguma coisa, como por exemplo o "jogar outro jogo" da postagem do ultimo domingo. Desde a postagem rolou muita conversa nesse sentido, inclusive minutos antes de eu me achegar por aqui estava rolando no facebook com um amigo de Caixias do Sul - RS muito bom sobre jogos e "jogos", se é que vocês me entendem.

Hoje não tenho muito a lhes dizer, não escrevendo pelo menos. Último domingo rolou um convite que aguns amigos de fé aceitaram e hoje aqui estamos pra mostrar o jogo que somos capazes de jogar, aquilo que fazermos por que gostamos e acreditamos que podemos contribuir um pouco com a humanidade com isso, nem que seja a sua própria. Sem grana envolvida, só a vontade de ser visto, de ver alguem curtindo, levando fé naquilo que você faz, escribas procurando pena pra escrever, etc. É mais ou menos esse o espírito.

Pode parecer meio piegas mas vou fazer um convite a todos que me mandaram material e a todos que acessarem o blog. Confiram a postagem, o blog, os vídeos, as canções e passem para pelo menos um amigo e peça que esse amigo faça o mesmo (e assim por diante). Vamos ver como esse trabalho de formiguinha sem as três palavras mágicas (para nossa alegria) vai girar os contadores, os "curti" do facebook, os "gostei" do YouTube, os comentários no inbox, pessoalmente, no mural, no email, etc.O vídeo que fiz da minha música "PS", por exemplo apenas mostrando aos amigos obteve exatas 35 visualizações em meia semana. Bom? Ótimo se as 35 pessoas tiverem curtido pra valer, como sei que algumas curtiram.

 Deixo mais uma missão para os que me mandaram material: entre vocês quem puder prestar atenção nos contadores e comentários, vão registrando as movimentações e comentem comigo ou mandem email (pra masterjedih@hotmail.com) falando como foi a repercussão. Se alguém gostar de algum dos trabalhos abaixo e quiser vestir a camisa e ajudar a divulgar, compartilhar de maneira que possa acompanhar a repercussão, também pode. Fiquem a vontade.

Sem mais delongas...

Post Scriptum
(André Ramos / Augusto Ridson) - 2007




Armadilhas, precipicios, estranhos na saída
Quebra-cabeça, tanques de guerra, tanques de gasolina
Esquinas mortais, estatuas de generais e carnificina
São sombras desnudas, sem sombras de dúvidas, dessa nossa vida

Jogos mortais, jogos banais (filmes e comerciais)
Pessoas que ganham demais (pessoas que pedem demais)
Mortes banais, bananas de dinamite (a um passo da explosão)
Mas há quem acredite que há outro jogo
Há quem acredite, há sempre quem acredite em nós

Somos capazes de jogar outro jogo
Somos capazes de jogar outro jogo
Somos capazes de jogar outro jogo
Somos escribas vorazes atrás de pena pra escrever

Loucos suicidas no autopista, caixa eletrônico
Automatiza o sistema, desvia o problema, acaba com o sono
Tronos de apartamento em seu mundinho pequeno
Em sua grande limitação, em seu coração positrônico

Somos capazes de jogar outro jogo
Somos capazes de jogar outro jogo
Somos capazes de jogar outro jogo
Somos escribas vorazes atrás de pena pra escrever

Felipe Breier (Fortaleza - CE)

Faço questão de rasgar ceda pro Felipe, sou seu fã, conheci muitas músicas através dele e prefiro essas tantas músicas em sua voz que na voz dos próprios compositores. Tive o privilégio de assinar com ele a canção "Minha" (que vocês podem conferir aqui mesmo neste blog clicando aqui)

Logo abaixo o vídeo de "Calma" minha canção favorita do Felipe

Antes, outros links para conhecer o trabalho do Felipe:
YouTube: http://www.youtube.com/felipebreier?gl=BR&hl=pt 
MySpace: http://www.myspace.com/felipebreier




Phill Veras (São Luís - MA)

Tocava na banda Nova Bossa e atualmente faz carreira solo.

Vídeo: Mulher - Nova Bossa



Outros Links:

http://www.youtube.com/watch?v=sitOTZwGiso&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=72WmPzvgPU0&feature=related
Myspace: www.myspace.com.br/nbossa

Theater of Salvation (Fortaleza - CE)


Banda do Rafael Mesquita, de fé hawaiiano, músico e um amigo que não trouxe pra mim um pedaço do muro do Roger Waters (rsrs), mas que é presença certa aqui no blog.

A Theater of Salvation surgiu da vontade de cinco amigos - Kelvin Chaves (Guitarra e vocal), Rafael de Mesquita (Guitarra), Italo Sampaio (Bateria e vocal), Kássio Chaves (Baixo) e Harley Carvalho (Vocal) - de se reunirem para tocar as suas músicas favoritas como forma de fugir do estresse do dia a dia e se divertir. O que começou como um hobby se tornou uma necessidade de expressão e a cada dia que passava, a vontade de mostrar suas músicas aumentava. As influências são muitas, vão do rock progressivo dos anos 1970 ao thrash metal oitentista, o que resulta uma sonoridade autêntica de manifestação de rock e heavy metal.


site: http://tnb.art.br/rede/theaterofsalvation
tube: http://www.youtube.com/user/theaterofsalvationce
face: http://www.facebook.com/theaterofsalvation

Aqui com vocês a demo da música "V" de autoria do Rafael.



V - Theater of Salvation

 You went into my home
And took me out of there
Then killed everyone
Destroyed what that I love
                        
Then threw all this crap on me
 But in the fire I reborn
To live in freedom forever
To walk without a fear

I can see all your lies 
Lady Justice lays down for money
 While without mercy cuts our hearts
Cuts our hearts and spread out the panic

Take down the masks and…
Break the silence
Don’t fear cause
Behind this persona,
There’s more than flesh and bones,
There’s ideias
Ideias are bullet proof
To close all the crew

But who put them on charge?
 It´s you, my dear partner
 The blood of many in your hands
Just because you never say no

But they will see
I present you Lady Anarchy
She’s my new friend
And she loves everyone

You are in a prison for all your life
 I will just show you the bars
Because, It’s time to you know the free world
To have no more ties to you…
To have no more ties to you…
To have no more ties to you…

Por Trás da Veneziana
por Mayra Porto (Fortaleza - CE)


Nunca escrevi coisas pensando em publicar para que as pessoas pudessem ler, mas sempre escrevi.
De certa forma, desde os tempos mais remotos de minha infância, eu sempre gostei de escrever.
Escrevia imaginando um momento bom, ou em um momento bom imaginava algo pra escrever. Escrevia em um momento ruim ou pensando em um. Em todos os cantos, no carro, no ônibus, a pé. Em qualquer momento inspirador, eu escrevia. Confesso que que leio muito pouco, conheço poucos autores, mas das poucas obras que conheço eu as leio frequentemente. Entediante? Não, pode apostar que não.

No começo, criei este blog só como uma forma de não perder as coisas que eu escrevo.Ouvi uma vez de não me lembro quem que "o mundo virtual é o local mais seguro pra você guardar suas coisas. Você nunca as perde. Algumas vezes, eu escrevia algo em algum pergaminho que com o tempo caía em algum buraco negro e eu nunca mais tinha acesso a ele 100%. Foi a partir daí que eu comecei a "guardar" minhas escrituras neste blog:

http://mayrarogerio.blogspot.com.br

Bah, o meu pensamento e minha curiosidade de pensar o que os outros pensariam de meus textos fez com que eu começasse a mandar esse link para alguns poucos amigos mais próximos, eu não tinha interesse de publicar para todos. Tinha receio de críticas e de muitas outras coisas, mas depois com os elogios das pessoas que eu mandava o blog, eu fui ficando mais interessada em saber o que outras pessoas que não me conheciam achavam dos meus textos.

Bom, eu entrei em uma comunidade do Blogger no Orkut e vi que as pessoas divulgavam o seu blog para as pessoas visitarem e comentarem sobre ele. Ótimo! Eu mandaria o meu blog pra alguém que eu não conhecia e esse alguém que, claro, não tinha nenhum conhecimento ao meu respeito, comentaria. Eu imaginava que assim, as pessoas tecessem comentários verdadeiros, pois sempre passou na minha cabeça que as críticas positivas ao meu blog das pessoas que me conheciam eram apenas "gentilezas". Bom, depois, as pessoas que não me conheciam comentaram e deram suas opiniões sobre o blog. Estas foram positivas também.

É de muito bom grado tudo isso!
Bom, aqui, nessa postagem, declaro que é a primeira vez que vou "publicar" de "uma vez logo" o meu blog.
Para os De Fé que, de uma certa forma, tem uma aproximidade maior do que as pessoas que eu não conheço e menor
do que as pessoas que eu conheço. Vamos ver no que dá! Valeu Galeraa!

Mayra Porto Rogério.