domingo, 29 de julho de 2012

Déjà-vu nunca visto


Já faz algum tempo que tenho dedicado instantes a mais de reflexão sobre déjà-vu nos momentos ociosos que vez por outra aparecem. Essa sensação de estar em algum lugar ou situação tem algumas explicações, nunca procurei algo mais concreto sobre isso, mas já me falaram algo sobre. Segundo a Wikipédia "Essa sensação se dá por conta que uma memória ou uma simples lembrança de algo que aconteceu rapidamente, fique armazenada em sua memória de longo prazo, sem passar pela memória imediata, ou seja, você guardou uma lembrança de algo, que você 'não presenciou', ao presenciar novamente você tem a estranha sensação de já ter vivenciado aquele fato". Chega a dar um nó nas idéias quando a gente lê.

Quem fala sobre temas semelhantes é Carlos Maltz, músico, psicólogo, astrólogo (fundador dos EngHaw). Em seu livro, o Abilolado Mundo Novo, uma das várias discussões que são levantadas é a da coisificação do ser humano. Por exemplo, racionalizar demais (isso seria bom ou ruim?) o funcionamento do ser humano e de sua "caixola", ter remedinho pra isso e pra aquilo, pra qualquer probleminha que surja na vida do cara e o mesmo não aguente. Como um professor meu da UECE fala, o ser humano moderno (ou pós-moderno) não quer sentir dor. Quem de nós quer, quando tem dor de cabeça, esperar pra ver se passa sem um remedinho? Nosso ritmo de vida não nos permite mais esse luxo, a não ser no fim de semana que você ta em casa relaxando. Putz, mas ai você não quer perder teu tempo de repouso com uma dor de cabeça. Enfim, voltando ao assunto inicial. Pode até ser que psicólogos, analistas e outros estudiosos afins tenham se dedicado sobre o déjà-vu e conseguido encontrar explicações, racionalizar o que outros mistificam. O fato é que realmente é uma sensação estranha quando você para pra pensar em alguns desdobramentos que ela possa acarretar.

Explico! Minha inquietação está no fato de que nem sempre você tem aquela sensação momentânea, por vezes a pessoa sonha com algo e esse algo acontece. Comigo mesmo já aconteceu algumas vezes, eu sonho com algo, lembro do sonho após acordar e aquela cena se repete tal qual no sonho, e não necessariamente no mesmo dia, semana, mês ou ano. A primeira vez que eu me lembro que isso aconteceu comigo foi por volta de 2005 quando eu fazia cursinho pré-vestibular, no sonho eu estava na esquina em frente ao IJF no centro, passava uma senhora negra com filhos e me pedia alguma informação que eu não sabia, ela seguia, depois vinha uma garota em minha direção. O sonho aconteceu tal qual em um dos domingos que tive aula pela manha no centro, estava esperando o transporte de volta pra casa e o resto vocês já sabem.

Algumas das vezes que tive déjà-vu não consegui distinguir se foi só momentâneo ou se foi algum sonho como o que relatei acima, como no dia em que fui a uma festa junina com minha noiva em um clube na Praia do Futuro. Eu sai de minha casa, ela da dela com a família, então eu voltaria também sozinho pra minha casa. Nunca havia estado naquele lugar, mas quando ela me levava ate a saída passamos por um determinado ponto do clube que me veio aquela sensação de ter estado ali já com ela. Dessa vez foi um pouco mais intensa a sensação, pois foi algo como se de repente eu acordasse e estivesse ali.

Poderia citar alguns outros exemplos que aconteceram comigo, mas não é essa a intenção. Como explicar então essas situações de sonho? Essa espécie de previsão involuntária do futuro. Esses lances de destino, etc. No twitter, Maltz também discutiu essas temáticas de destino nos questionamentos que ele lança aos seus seguidores e vice-versa. Conclusão, até agora nenhuma, pelo menos para mim. É difícil racionalizar certas coisas, como esses lances de destino, livre-arbítrio, predestinação, etc. Recentemente alguma situação que eu sonhei há muito tempo aconteceu tal qual o sonho e, ironicamente, neste exato momento em que digito não lembro exatamente o que foi. Mas o que mais me motivou a escrever sobre isso foi um sonho que tive recentemente, um desses sonhos com clima de realidade. Estava com algumas pessoas, não lembro quem, só lembro que minha noiva estava comigo e aparentemente estávamos em um restaurante. Eu estava com o cabelo bem maior do que o normal, de um modo que acho improvável que ele fique (por conta do meu tipo de cabelo). Realmente tenho deixado meu cabelo crescer mais, pra ver no que dá e pra mudar um pouco. Dai veio o pensamento: esse sonho pode vir a se tornar realidade se eu quiser, basta continuar sem cortar o cabelo e quem sabe ele fique como estava no sonho e eu esteja na situação que sonhei. Poderá uma pessoa saber de seu futuro, mesmo que seja um fato corriqueiro, e estar aguardando conscientemente sua chegada? Poderá também uma pessoa, sabendo de seu futuro, mudá-lo ao seu bel-prazer? No meu caso seria mais fácil seria apenas cortar o cabelo.

Pra encerrar, duas histórias:

1 - Meu pai me contou certa vez uma história cuja moral seria que o homem não pode fugir de seu destino. "Certa vez um camponês viu a morte o rodeando aonde quer que ele fosse, na fazenda onde trabalhava, no mercado, na rua, etc. Ele relatou ao seu senhor a situação e pediu permissão para que fosse descansar um pouco na casa de seu pai, em um lugarejo um tanto mais afastado, assim fugiria da morte que o estava rondando. A permissão foi dada e assim aconteceu. Após o camponês ter viajado, o senhor encontrou com a morte na rua e, destemido, a abordou: escuta, não adianta mais ficar rondando minhas terras, meu servo nem aqui está mais, por favor deixe-o em paz. A morte respondeu: não se preocupe, estou por aqui há algumas semanas, mas não vim por seu servo, a hora dele não havia chegado ainda, a hora dele será logo mais na casa de seu pai".

2 - Nos meus semestres iniciais na UFC, ainda na ânsia por me sentir pertencente a um mundo diferente (a universidade), a papos mais cabeças, enfim, algo com uma expansão do universo (uma visão ainda ingênua e romantizada de um jovem calouro), mesma época em que eu comecei a compor, escrevi uma música chamada "Ao som de Jude", que falava um pouco de uma sensação legal que tive na primeira calourada que fui. Era uma festa de natal na reitoria com um cover de Beatles, e quando a banda cantava o la la la de Hey Jude, a energia do lugar foi incrivel, coisas de jovem calouro. Enfim, entre alguns beijos hetero e homossexuais que presenciei, coisa que não falta em calourada é maconha. Um trecho "rebelde" da música se refere a maconha que presenciei ser fumada (nunca experimentei, apesar das oportunidades) e diz "ao som de Jude acende-se o fogo, canta a juventude, ouve-se sua voz". Lembrei exatamente deste trecho enquanto assistia Paul tocar Hey Jude após a tocha olímpica ser acesa... "ao som de Jude acende-se o fogo"... (você está pensando no que eu estou pensando B1?..) Pode ser pretensão minha um pensamento assim, mas... por que não?

Live and let die!

domingo, 22 de julho de 2012

O outro lado da moeda

Estava descendo no elevador enquanto anoitecia. Horas se passaram como segundos naquela tarde e, apesar de ter sido uma tarde maravilhosa, enquanto reparava os números decrescendo com os andares no painel uma nostalgia sem fim me tomou por inteira, coisa que não sentia desde a infância. A diferença é que na infância nostalgias eram sem razão, não tinham nome e sobrenome como agora. Saindo do elevador sem coragem de sair pra rua, voltar pra casa, voltar a vida normal, sentei no sofá do saguão e liguei pra você. A espera que alguém atendesse me fez o coração acelerar e me trouxe lágrimas aos olhos, daquelas que sempre estão acompanhadas de um nó na garganta. Quando finalmente você atendeu só perguntei se podia me ajudar a chegar em casa, marquei em um lugar próximo aonde estava pra não dar bandeira e fui te esperar. Na saída passando em frente a um espelho vi que minha aparência estava horrível, roupa amassada, cabelo assanhado, pensei então que quando você me visse, depois de já ter ouvido minha voz trêmula, iria se perguntar o que tinha acontecido comigo, mas não havia tempo para reparos e assim mesmo fui.

Quando entrei no carro você não perguntou, mas seu olhar de espanto não negava a surpresa negativa, não em tom acusativo, mas preocupado. Foi engraçada a primeira conversa pois lembrei de um filme qualquer que vimos certa vez, onde o cara levava a garota em apuros para comer, querendo criar um clima romântico, você havia me perguntado se eu estava com fome, de fato não estava com fome naquele instante, mas não comia nada desde o almoço e decidi aceitar o convite, até pra ver se você iria querer imitar o tal filme. Não foi surpresa, diria até que foi previsível você desistir de bancar o conquistador e me levar pra comer em um shopping. Não sei porque, já que não tinha, ou pelo menos acreditava que não tinha nenhuma expectativa além de chegar logo em casa, mas ir pra um shopping me deixou um tanto decepcionada, a fome que não era das maiores sumiu por completo e ao sentarmos à mesa quando disse que preferia não comer nada me espantei com o tom severo que usou quando falou que "ou eu comia ou você me deixaria ali e ia embora". Não sei se era brincadeira, não sei se era sério, se você tinha se chateado por eu desistir de comer  só depois de estarmos ali naquele lugar. Foi uma surpresa, um impacto pra mim eu diria, pela primeira vez eu não sabia exatamente o que você queria dizer, pela primeira vez eu te via como a um estranho, até mesmo quando nos conhecemos, seus trejeitos e sua forma de lidar comigo te puseram em minhas mãos, resumindo, eu não estava mais no controle.

Enquanto comia, você ficou apenas olhando, ao menos a conversa fluiu um pouco mais. Nesse instante já nem lembro o que conversamos direito, só lembro que quando estávamos a caminho de minha casa o silêncio imperou. Passada uma dezena de semáforos em silêncio, olhei pra você e você sorria um sorriso tímido e escancarado, o que me levou a sorrir também. Sorri pois pela primeira vez em que me senti fora do controle, na verdade eu não estava. Podia ser 18h, como era quando você me buscou, ou uma da manhã, você iria estar ao meu dispor, talvez até mais do que esteve, pois se eu chamasse de madrugada o caso poderia parecer ser mais urgente. Fiquei feliz por estar novamente no controle, mas fiquei mais feliz ainda por perceber que naquele momento mesmo sem que tivéssemos nenhum tipo de relacionamento eu senti que recebi mais carinho de você naquela meia hora um tanto tensa do que uma tarde inteira com a pessoa com a qual de fato estive.

Nos olhamos estranhamente e antes de eu descer trocamos um abraço frio. Desci, bati a porta e quando me virei já não havia sorriso em seu rosto. Não sei se te perdi de vez agora, mas o silêncio que ficou e a imagem de seu carro se distanciando na rua deserta pareciam responder que sim.

domingo, 8 de julho de 2012

A melhor lembrança de nós dois

Devo assumir que já esperava, mesmo após o final inesperado, que você me ligaria quando estivesse em alguma dificuldade. Confesso também que estava por perto pois nunca estive longe, estava sempre observando, a postos, esperando o momento certo no qual ceder não era questão de escolha, era a única opção. Me vi em meio a um dos tantos filmes de relacionamentos neuróticos que assistimos, não esperava um dia estar na mesma situação. Apesar de pouco tempo, tivemos tempo suficiente para um grande estrago. Um segundo ao telefone foi mais do que o necessário pra que tudo virasse nada. Agora, mais uma vez ao telefone, tenho a chance de ouvir novamente certas palavras que por mais suplicantes que fossem, para mim só diziam "não te esqueci". Quem dera, o que ouvi no entanto foi um lamentado "me ajuda".

Não quis saber de que tipo de desventuras tive que salvá-la, apenas cheguei o mais rápido que pude no local solicitado. Com os filmes que vimos lembrei que nestas ocasiões leva-se a pessoa vulnerável para algum lugar em que se possa pedir algo para comer mesmo que não se coma, o alimento serviria tão somente de pretexto para conversar enquanto ele ficava pronto, criar o clima de romance e interrompê-lo com a chegada do garçom, esquecendo assim que estávamos a um passo ou um gesto de recuperarmos o tempo perdido. Me ofereci então pra levá-la para comer algo, até porque sua aparência estava lamentável. A modernidade porém destruiu tudo que aprendi com os filmes que tanto assistimos e fomos a um shopping. O mais impessoal dos lugares para pessoas que precisavam reencontrar-se consigo mesmas. Sem clima, sem garçom para interrompê-lo, malditos fast-foods! O silêncio inicial cumpriu seu protocolo, normal após algum tempo distante, no entanto entre uma mordida e outra começamos a falar naturalmente, eu de coisas que fiz nos raros momentos em que não me via destruído, em contrapartida soube também de um lado interessante de sua vida sem que me desse a conhecer o motivo pelo qual estávamos ali. Comecei a compreender que realmente iria só levá-la pra casa e, apesar de estar ficando mais descontraido, de certa forma estava me dando conta de que errei em fazer esta pausa para um lanche. O nível de descontração me deixou soltar uma brincadeira mais rude, ameaçando fazer algo caso você não se alimentasse direito, talvez nosso nível de desconhecimento, após tanto tempo, tenha feito a falsa ameaça soar mais rude do que nossa extinta intimidade permitia e te deixei apreensiva, realmente crente que eu a iria abandonar. Foi o suficiente para nos entendermos sem palavras e, certos de que não queríamos essa proximidade tão estranha de desconhecidos de infância, levantamos e tomamos o rumo de casa. Ok, me corrijo, de sua casa.

O silêncio que tanto nos separou enquanto estávamos juntos fez o papel oposto durante o trajeto para sua casa. Depois do estranho reencontro nada mais natural que, calados, cada um revivessem em pensamento os momentos que fizeram daquele estranho vazio algo chamado amor. Se eu pudesse nos ver como na cena de um daqueles filmes, diria que aos poucos nossos semblantes deixavam a dor de lado, ganhavam novamente certa leveza, timida por certo, seria pedir demais um sorriso que denunciasse ao outro o que sentiamos nas entranhas. Nada traduz a troca de olhares antes do abraço terno, nem o abraço terno antes de você saltar do carro, pela primeira vez nos entendiamos. Talvez agora possa me sentir livre. talvez agora possamos estar livres finalmente um para o outro. Talvez estejamos livres para sempre de tal maneira que a mais pérfida desventura te faça lembrar, não sei por qual motivo, de meu número de telefone, assim como eu poderei estar livre para não querer receber tua chamada. Ao menos pude perceber que pela primeira vez nos entendemos, e que o sentimento foi deveras verdadeiro. Mesmo que vá sem retorno após bater a porta e tudo que senti até agora volte a me destruir, até mais intensamente que antes, posso agora dizer que nesse encontro desconcertante pude guardar a melhor lembrança de nós dois. Vá.

(André Ramos - 08.07.2012)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O que pode ser dito em 3 minutos (para Humberto Gessinger)

Todos aqui presentes devem ter uma pessoa com a qual desejam estar próxima pelo menos pra bater um papo, trocar umas idéias, tirar uma foto ou receber um autógrafo, todos devem ter um ídolo (ou todos devem ser fãs de alguém, para quem achar a palavra ídolo muito forte). Algumas das pessoas que frequentam o blog tem em comum comigo o fato de admirarem o trabalho (e/ou a pessoa) de Humberto Gessinger. E é sobre esta relação de fã que venho mais uma vez divagar nas linhas (e entrelinhas) deste singelo blog.

Acho que, como eu, várias pessoas gostariam de estar com o Humberto por alguns instantes, tirar uma foto, poder conversar, ser lembrado por ele, "evoluir" de um "de fé" para um "de casa", resumindo ser/estar mais próximo dele. Acho também que, como eu, a maioria dessas várias pessoas deve ter tido no poucos instantes pra falar com HG e tentar transmitir (sem despejar) um turbilhão de coisas que se sente quando se encontra com ele, principalmente se for a primeira vez. Os "3 minutos" geralmente não dão pra se falar tudo o que se quer, hoje quero compartilhar com vocês coisas que sempre tive vontade de compartilhar com HG de minha vivência EngHaw.

Conheci Engenheiros do Hawaii no final de 1999, ainda lembro de cada passo de um sábado que, sem nada pra fazer em casa, fui à casa de uma tia que mora na mesma rua que eu e lá encontro uma prima que lá morava escutando o Tchau Radar. Ela me oferece a coletânea Acervo pra que eu leve pra casa e ouça, começou ai minha história com EngHaw. Em fevereiro de 2000 ganhei de aniversário de uma irmã o mesmo cd da coletânea Acervo, meu primeiro cd EngHaw! Dai em diante passei a acompanhar o site sempre que podia, internet ainda era "à lenha" (discada) e um negócio raro para mim nessa época. Ficava sempre na vontade de participar dos chats dos dias 11 e não podia pois eu só acessava a internet do escritório do meu pai e ele saia de lá por volta das 18h, além disso o prédio fechava no mais tardar às 21h e os chats eram entre 22h e 23h. Um dia, no entanto uma ótima notícia: show dos Engenheiros em Fortaleza!!!!! Já estava na época do 10.000 destinos, o primeiro cd dos engenheiros que vi nascer. A ansiedade foi tremenda pra um guri de 12 anos, no entanto haviam ainda alguns desafios a serem superados! Como chegar no meu pai pra falar, como pedir pra ir a esse show? Felizmente o show era no Ginásio Paulo Sarasate e tinha lugar pra ver o show sentado. Conseguimos comprar o ingresso a 12 reais no dia do show mesmo na farmácia Pague Menos da Senador Pompeu, perto da Praça da Bandeira. Lembro que na tarde do grande dia meu pai ainda não tinha recebido um dinheiro que estava esperando pra poder comprar os ingressos, sai do escritório dele, perto da catedral, no Centro, pra ir fazer alguma coisa pra ele pela Praça do Ferreira. Quando terminei o que tinha de fazer liguei pra ele pra saber dos ingressos e finalmente a pessoa já estava com o dinheiro. De onde estava fui buscar, saí correndo e quando estava chegando na descida do calçadam C Rolim dei um pulo (estilo HG) de tanta felicidade. Resultado: me estabaquei no chão e passei maior vergonha, ao menos os ingressos estavam garantidos. Quando cheguei e vi o palco com o tema do 10.000 destinos não acreditei que estava ali e me perguntava se eram realmente os Engenheiros do Hawaii que eu gostava ou se eram outros. Quando Humberto entrou no palco tive certeza. O show foi ótimo, assisti das cadeiras com meu pai, o filme da câmera fotográfica queimou e não se salvou nenhuma foto e peguei uma baita gripe com febre e tudo que eu tinha direito. Lembro ate do que tomei por lá: 1 icekiss e 1 refrigerante durante o show e na saída 1 espiga de milho cozido (rsrs). As únicas fotos que consegui na época foi do site "Parabólica Hawaiiana" do WebRing do site dos Engenheiros.



No ano seguinte teve show, ainda da tour 10.000 destinos, na barraca Cuca Legal, na Praia do Futuro. Foi minha primeira grade, meu pai esteve lá comigo de novo, um cara subiu nas costas dele, me ofereceram maconha e uma garota mais velha que eu (entre 18, 20 + -) puxou assunto comigo perguntando sobre o quanto eu gostava de Engenheiros, o que eu tinha de Cds (nessa época eu já tinha vários) e disse pra galera dela que eu era "mó limpeza". Nesse show aconteceram duas coisas das quais nunca me esqueci: 1 - quando HG tocava Alivio Imediato, "que a chuva caia"... a chuva realmente caiu, leve, "como uma luva (...), um delírio"; 2 - Humberto apoiou-se em um retorno que estava bem na minha frente e ficou tocando baixo lá, por uns 10 segundos ele estava lá bem perto de mim, e por uns 3, 4 olhou bem nos meus olhos, talvez pensando "pô que guri novo ai embaixo". Não preciso nem dizer que olhei bem nos olhos dele nesses 3, 4 segundos e que no restante e nos outros segundos que fecham os 10 também. Ainda hoje lembro perfeitamente da imagem daquele cara enorme olhando pra mim. Pra salvar o dia, mais uma vez o site "Parabólica Hawaiiana" pos fotos do show, sendo que uma delas foi desse exato momento; vocês podem argumentar que a foto pode ter sido de qualquer outro momento que ele se apoiou no mesmo retorno, mas a imagem está tão clara na minha mente que olhando pra foto tenho certeza de que foi a hora que ele olhou pra mim, além daquele sexto sentido que vem reforçar a certeza. Confiram a foto logo abaixo:


Na época enviei alguns emais pro Humberto (pro email que tinha no encarte do 10.000 destinos) tentando mostrar pra ele que eu era aquele garoto que ele viu naquela determinada hora, pra ajudá-lo a lembrar mandei uma única foto minha que eu tinha escaneada e essa foto do show. Pura inocência... (sim, nessa época ainda existiam algumas crianças inocentes e sim, nessa época pra boa parte da população ter foto em computador, só escaneando, e olhe lá). Nunca tive resposta desses emails, mas até hoje penso qual seria a reação Humberto se tivesse chegado a ler meus emails.

Um tempo após esse segundo show entrei para a COT (Comunidade Católica Obreiros da Tardinha) e diante de todo entusiasmo uma das coisas que fiz (até por ser do ministério de música) foi renunciar a música do "mundo". Deixei então TODOS os meus cds com a mesma prima que me apresentou a EngHaw. Foi um deixar do tipo estou querendo te dar, pois tenho que renunciar, mas to só deixando contigo, mas não quero mais pegar de volta. Resultado: ela vendeu todos, menos o Acervo (sim, aquele primeiro que ganhei) e até hoje ainda não consegui comprar de novo um Tchau Radar...

Os 3 anos que passei na COT apesar de todo meu envolvimento não me fizeram esquecer de vez os Engenheiros. Perdi todos os Ce Musics que eles tocaram, todos os shows do 10.001 destinos até a finaleira do Acustico MTV. Voltei a escutar aos poucos depois que saí da COT pra estudar pro vestibular, aos poucos consegui comprar todos os cds novamente, com excessão do Tchau Radar, e os 8 LP's. Meu retorno aos shows foi em 2006 no Ar Livre, nessa época já tinha câmera digital, mas eu só tinha a minha câmera velha de guerra e também nenhuma foto prestou. Dessa vez fui salvo pelo Festa.Net.


Depois do Ar Livre não faltei mais a nenhum show, e além disso, viajei com Isadora, minha amiga pra São Paulo pra ver o segundo dia de gravação do Novos Horizontes, ótima viagem, ótimos passeios e (claro) ótimo show, além de conhecer alguns de fé por lá, inclusive de Fortaleza.








De volta a Fortaleza, fui ao show do Arena em 2007 com direito a ver parte da passagem de som encima do palco como penetra ao lado de meu amigo, Ridson, além de puxar a cortina do palco e tirar uma foto do HG durante a mesma passagem de som (antes de subir), ainda lembro a cara que ele fez: olhou com uma cara "quem são esses doidos", deu um sorriso e alguém fechou a cortina. Pra ficar completo o pacote, também fui expulso do palco.




Foi anunciado meio que de última hora um show em Sobral, elétrico, com HG de volta ao baixo. Consegui encontrar com Humberto pela primeira vez no dia que ele voltou de Caruaru pra Fortaleza pra esperar o dia de seguir viagem para Sobral, levei comigo minha amiga Alanna, a mesma que criou comigo a teoria do "nada leva a lugar nenhum" que falei em uma postagem anterior, a partir daí viramos companheiros nas missões de tentar descobrir em que hotel HG estaria hospedado, já chegamos até a comprar catão telefônico pra ligar de um orelhão hotel por hotel, rsrs. No show de Sobral conheci minha "perfeita simetria", Mirelle, que hoje é minha noiva, vale ressaltar que os dois tinham motivos de sobra pra não por o pé na calçada de casa, quanto mais ir a um show em outra cidade... tinha que ser.






Aprendi a pintar camisas pra poder ir com uma camisa personalizada ver a gravação em São Paulo. Na possibilidade de encontrar com HG em Fortaleza entre o show daqui e o show de Sobral, fiz uma camisa pra ele com uma charge estilo Simpson. O momento foi único, fui realmente incrível estar com ele, foram algumas horas de espera até a hora do susto de ver descendo da van. Ainda assim, fiz questão de chegar até ele, cumprimentá-lo, me apresentar e só depois pedir fotos / autógrafos. Ele foi super... Gláucio, Aranha e Master também.


Alguns meses depois, em julho de 2008, show Novos Horizontes novamente em Fortaleza no Parque do Cocó. Em agosto eu entrei para a banda Guardas da Fronteira, cover de Engenheiros, nascida na comunidade EngHaw Ce do Orkut. Um ano depois após aperreá-lo um bocadinho, consegui que HG me mandasse um vídeo sobre o aniversário da Guardas da Fronteira pra passar em nossa festa de aniversário. Ele montou seu equipamento em casa e tocou com violão, gaita e bateria eletrônica a canção Guardas da Fronteira. Passei umas duas semanas sem acreditar que ele tinha feito isso pra nós aqui e assistia umas 20 vezes por dia, todo dia, até conseguir acreditar.





Mais que nunca agora eu estava de volta ao mundo EngHaw, e agora já tinha algumas "desculpas" pra tentar fazer com que HG lembrasse de mim, sempre perguntava então onde podia se ele lembrava daquele garoto que tinha dado uma camisa com charge estilo Simpsons pra ele e, depois de certo tempo, pude encontrá-lo novamente e agradecer pessoalmente pelo vídeo que ele gravou. Nesse meio tempo recebi por engano um email dele falando sobre abertura do show do Pouca Vogal. Pra um cara que tem uma banda receber um email de Humberto Gessinger com "abertura BH" no assunto, era de se ter um infarto! Quase tive, e para voltar a realidade, o email tratava de como sinalizar a introdução instrumental do show do PV. O email era pra ir pro Duca, Alemão e Master. Entendi logo, meu email começa com master, na hora ele confundiu de master. Era dia das crianças, respondi a ele falando sobre o engano e dizendo que era um baita presente de dia das crianças um email assim, mesmo que por engano. Em 2010, teve show do Pouca Vogal aqui em Fortaleza, foi quando agradeci a ele pelo vídeo.



No carnaval de 2011 viajei a Gramado-RS com Mirelle, na ocasião a pedi em noivado. HG havia falado que iria estar na serra também, tentei encontrá-lo lá mas não rolou, ele não chegou a ir, mas me respondeu alguns emails sobre o assunto e ma parabenizou pelo noivado, nada pode ser maior!

Gramado se tornou também mais um pretexto pra que ele lembrasse de mim (e agora de minha noiva também). Sempre que encontrava com ele tentava falar de algum lugar que ele já havia me visto mas me enrolava todo e acabava sempre esquecendo de falar algo, ou não falava como queria, eram os tais "3 minutos" que não deixavam eu falar tudo. Vejo alguns fãs que, merecidamente, devido a muita dedicação mesmo, conseguiram estar mais próximos do Humberto, indo a passagens de som, a camarins, encontrando por ai e até recebendo visita do HG em casa. Não quero parecer invejoso aqui, mas eu sempre pensava, e ainda penso: pô, eu também posso um dia chegar "nesse nível", posso estar perto assim do meu ídolo... Só que por outro lado eu me perguntava, se um dia eu estiver assim, o que vou falar com ele? Em maio desse ano, ele esteve em Fortaleza como a maioria de vocês já sabe. Como sabem também (até porque foi assunto de outra postagem) eu estive umas duas horas com ele na sessão de autógrafos. Só que ali tão perto e tão longe, sem poder falar nada com ele, e quando tudo terminou eu tive que ir pegar a van que vinha pegá-lo e não tive como falar direito com ele. No outro dia estive na passagem de som e consegui falar quem era, que era eu o garoto que tinha noivado em Gramado, ele respondeu "ah, to ligado", peguei um atógrafo que seria presente de dia dos namorados para minha novia e logo ele foi embora. Falei tudo embolado, quis que ele lembrasse de mim dizendo que estava ajudando na Saraiva, falando que era o "noivo de Gramado", etc, e acabei não falando nada de útil... eu teria algo de útil a falar? 

Sei que alguém que nunca esteve com HG pode achar que estou reclamando de barriga cheia com tantas histórias pra contar, mas ainda busco esse algo a mais, mesmo sem saber direito o que fazer com ele. Quem sabe daqui pra frente, na próxima vez que ele vier a Fortaleza, em uma futura possível ocasião em que eu o encontrar em outro contexto ou quando eu souber o que falar. Uma coisa que HG fala sobre sua relação com fãs é que se torna difícil as vezes pois os fãs o conhecem e ele não tem como conhecer mais a fundo os fãs. Concordo com ele e, talvez por concordar, sempre tenha tido vontade de contar tudo o que estou escrevendo aqui, deixar me fazer conhecer. Talvez até essa postagem inconscientemente (ou não) seja uma tentativa mais de fazer com que ele saiba um pouco da história desse fã e de como eu tenho vivido EngHaw e como seu trabalho tem influenciado minha vida e dado frutos, como ter conhecido minha noiva, por exemplo. Espero um dia saber aproveitar os 3 minutos e ter o q falar nestes 3 minutos.

Sempre que posto deixo o link da postagem no twitter do Humberto com a seguinte mensagem: me permite fazer um convite a leitura? Hoje convido a vocês a comentarem, como sempre tem feito, e a contarem também experiências e anseios como esses que dividi com vocês hoje. Quem sabe também deixar um convite a leitura pro HG pra ver se ele conhece um pouco mais de nós. Fica o convite, gostarei muito de ler sobre outras vivências EngHaw e torcerei para que HG apareça também por meu convite ou de vocês. Até o próximo domingo.