domingo, 29 de julho de 2012

Déjà-vu nunca visto


Já faz algum tempo que tenho dedicado instantes a mais de reflexão sobre déjà-vu nos momentos ociosos que vez por outra aparecem. Essa sensação de estar em algum lugar ou situação tem algumas explicações, nunca procurei algo mais concreto sobre isso, mas já me falaram algo sobre. Segundo a Wikipédia "Essa sensação se dá por conta que uma memória ou uma simples lembrança de algo que aconteceu rapidamente, fique armazenada em sua memória de longo prazo, sem passar pela memória imediata, ou seja, você guardou uma lembrança de algo, que você 'não presenciou', ao presenciar novamente você tem a estranha sensação de já ter vivenciado aquele fato". Chega a dar um nó nas idéias quando a gente lê.

Quem fala sobre temas semelhantes é Carlos Maltz, músico, psicólogo, astrólogo (fundador dos EngHaw). Em seu livro, o Abilolado Mundo Novo, uma das várias discussões que são levantadas é a da coisificação do ser humano. Por exemplo, racionalizar demais (isso seria bom ou ruim?) o funcionamento do ser humano e de sua "caixola", ter remedinho pra isso e pra aquilo, pra qualquer probleminha que surja na vida do cara e o mesmo não aguente. Como um professor meu da UECE fala, o ser humano moderno (ou pós-moderno) não quer sentir dor. Quem de nós quer, quando tem dor de cabeça, esperar pra ver se passa sem um remedinho? Nosso ritmo de vida não nos permite mais esse luxo, a não ser no fim de semana que você ta em casa relaxando. Putz, mas ai você não quer perder teu tempo de repouso com uma dor de cabeça. Enfim, voltando ao assunto inicial. Pode até ser que psicólogos, analistas e outros estudiosos afins tenham se dedicado sobre o déjà-vu e conseguido encontrar explicações, racionalizar o que outros mistificam. O fato é que realmente é uma sensação estranha quando você para pra pensar em alguns desdobramentos que ela possa acarretar.

Explico! Minha inquietação está no fato de que nem sempre você tem aquela sensação momentânea, por vezes a pessoa sonha com algo e esse algo acontece. Comigo mesmo já aconteceu algumas vezes, eu sonho com algo, lembro do sonho após acordar e aquela cena se repete tal qual no sonho, e não necessariamente no mesmo dia, semana, mês ou ano. A primeira vez que eu me lembro que isso aconteceu comigo foi por volta de 2005 quando eu fazia cursinho pré-vestibular, no sonho eu estava na esquina em frente ao IJF no centro, passava uma senhora negra com filhos e me pedia alguma informação que eu não sabia, ela seguia, depois vinha uma garota em minha direção. O sonho aconteceu tal qual em um dos domingos que tive aula pela manha no centro, estava esperando o transporte de volta pra casa e o resto vocês já sabem.

Algumas das vezes que tive déjà-vu não consegui distinguir se foi só momentâneo ou se foi algum sonho como o que relatei acima, como no dia em que fui a uma festa junina com minha noiva em um clube na Praia do Futuro. Eu sai de minha casa, ela da dela com a família, então eu voltaria também sozinho pra minha casa. Nunca havia estado naquele lugar, mas quando ela me levava ate a saída passamos por um determinado ponto do clube que me veio aquela sensação de ter estado ali já com ela. Dessa vez foi um pouco mais intensa a sensação, pois foi algo como se de repente eu acordasse e estivesse ali.

Poderia citar alguns outros exemplos que aconteceram comigo, mas não é essa a intenção. Como explicar então essas situações de sonho? Essa espécie de previsão involuntária do futuro. Esses lances de destino, etc. No twitter, Maltz também discutiu essas temáticas de destino nos questionamentos que ele lança aos seus seguidores e vice-versa. Conclusão, até agora nenhuma, pelo menos para mim. É difícil racionalizar certas coisas, como esses lances de destino, livre-arbítrio, predestinação, etc. Recentemente alguma situação que eu sonhei há muito tempo aconteceu tal qual o sonho e, ironicamente, neste exato momento em que digito não lembro exatamente o que foi. Mas o que mais me motivou a escrever sobre isso foi um sonho que tive recentemente, um desses sonhos com clima de realidade. Estava com algumas pessoas, não lembro quem, só lembro que minha noiva estava comigo e aparentemente estávamos em um restaurante. Eu estava com o cabelo bem maior do que o normal, de um modo que acho improvável que ele fique (por conta do meu tipo de cabelo). Realmente tenho deixado meu cabelo crescer mais, pra ver no que dá e pra mudar um pouco. Dai veio o pensamento: esse sonho pode vir a se tornar realidade se eu quiser, basta continuar sem cortar o cabelo e quem sabe ele fique como estava no sonho e eu esteja na situação que sonhei. Poderá uma pessoa saber de seu futuro, mesmo que seja um fato corriqueiro, e estar aguardando conscientemente sua chegada? Poderá também uma pessoa, sabendo de seu futuro, mudá-lo ao seu bel-prazer? No meu caso seria mais fácil seria apenas cortar o cabelo.

Pra encerrar, duas histórias:

1 - Meu pai me contou certa vez uma história cuja moral seria que o homem não pode fugir de seu destino. "Certa vez um camponês viu a morte o rodeando aonde quer que ele fosse, na fazenda onde trabalhava, no mercado, na rua, etc. Ele relatou ao seu senhor a situação e pediu permissão para que fosse descansar um pouco na casa de seu pai, em um lugarejo um tanto mais afastado, assim fugiria da morte que o estava rondando. A permissão foi dada e assim aconteceu. Após o camponês ter viajado, o senhor encontrou com a morte na rua e, destemido, a abordou: escuta, não adianta mais ficar rondando minhas terras, meu servo nem aqui está mais, por favor deixe-o em paz. A morte respondeu: não se preocupe, estou por aqui há algumas semanas, mas não vim por seu servo, a hora dele não havia chegado ainda, a hora dele será logo mais na casa de seu pai".

2 - Nos meus semestres iniciais na UFC, ainda na ânsia por me sentir pertencente a um mundo diferente (a universidade), a papos mais cabeças, enfim, algo com uma expansão do universo (uma visão ainda ingênua e romantizada de um jovem calouro), mesma época em que eu comecei a compor, escrevi uma música chamada "Ao som de Jude", que falava um pouco de uma sensação legal que tive na primeira calourada que fui. Era uma festa de natal na reitoria com um cover de Beatles, e quando a banda cantava o la la la de Hey Jude, a energia do lugar foi incrivel, coisas de jovem calouro. Enfim, entre alguns beijos hetero e homossexuais que presenciei, coisa que não falta em calourada é maconha. Um trecho "rebelde" da música se refere a maconha que presenciei ser fumada (nunca experimentei, apesar das oportunidades) e diz "ao som de Jude acende-se o fogo, canta a juventude, ouve-se sua voz". Lembrei exatamente deste trecho enquanto assistia Paul tocar Hey Jude após a tocha olímpica ser acesa... "ao som de Jude acende-se o fogo"... (você está pensando no que eu estou pensando B1?..) Pode ser pretensão minha um pensamento assim, mas... por que não?

Live and let die!

2 comentários:

  1. Realmente não é comum pra mim ter Déjà-vu. Até pq se fosse comum tb já seria demais pra qualquer um né, ja dizia Morfeu, de Matrix, que ao ver um Déjà-vu, corre menino!

    A dor a gente nunca quis sentir. Nem hoje nem antes. Nós estamos conseguindo algumas coisas que buscamos, mas lembrando de pensamentos que nos dizem que a alegria está no busca de um objetivo e não apenas na conclusão. As duas coisas são importantes, não há a busca se não há objetivo. E a busca sem objetivo parece sem sentido, assim como adiar e adiar o objetivo para permanecer na busca, no medo de que não haja um próximo objetivo que te instigue.
    Será que seria presunção minha achar que estamos alcançando nossos objetivos de fugir da dor, de viver mais, de ter mais,... ?


    ps: "Laaaaa laaaaaa la la la laaa" de Hey Jude carrega uma sensação muito boa!

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  2. Acho que o meu déjà-vu acontece com as pessoas que eu conheço ao longo da vida...Às vezes conhecer e ter uma empatia singular com quem acabo de conhecer me faz ter essa sensação de já ter conhecido/convivido com quem eu tinha visto na vida! Confesso que isso acontece pouco, mas quando acontece eu ganho amigos que jamais se separam de mim =D

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