domingo, 12 de agosto de 2012

A cigarra, a formiga, o goleiro e a luva



Em uma das postagens em que tratei sobre a canção Pos-Scriptum e fiz o convite para mostrar mais trabalhos de quem quisesse se mostrar eu usei a expressão "trabalho de formiguinha". A formiga é conhecida, até por conta de sua fábula com a dona cigarra, por trabalhar e trabalhar em equipe, várias formigas, minúsculas criaturas, fazendo um trabalho minúsculo que ao final revela uma obra grandiosa. O que de grandioso pode haver no trabalho de uma formiga, você pode perguntar. Ora elas estão até hoje ai, não? Tendo que construir seus formigueiros em ambientes cada vez mais urbanos, disputando com cimento e outras modernidades. E se você, provável leitor estiver permanecendo incrédulo, posso não ter como lhe provar o sucesso de uma formiga, mas tenho como lhe provar o quanto nós, os incríveis seres humanos, somos incapazes de realizar o trabalho de um inseto tão minúsculo, apesar de toda tecnologia que temos a nosso favor.

Na teoria tudo parece simples, ações planejadas que se executadas terão o sucesso garantido. Quando convidei alguns a fazerem o tal trabalho de formiguinha foi na intenção de divulgar idéias, não só minhas, mas de quem se aventurou a me enviar algum trabalho para postar nesse blog dominical. A ideia era simples: eu mostro o blog com o material dos colaboradores para uma pessoa e peço que essa pessoa mostre para mais uma e peça que essa mais uma peça para mais uma e assim por diante. Teoricamente, em questão de tempo poderíamos ter dominado o mundo! Com todos os recursos de compartilhamentos que temos no twitter e no facebook, a referida postagem alcançou em uma semana 142 visualizações e 3 comentários. Dois dos vídeos que seguiam na postagem foram upados por mim em minha conta do Youtube. As estatísticas não mudaram muito, foram em tordo de 100 para meu vídeo com a música Pos-Scriptum e umas 60 para a música da Theater of Salvation do brother Rafael. Hoje, após parar de divulgar o link, meu vídeo possui 109 visualizações e o do Rafael, 75. Como bem lembrei de ressaltar, no final da postagem adverti que iríamos observar a repercussão estatística do blog, dos vídeos e dos outros materiais sem as três palavras mágicas, que seriam "para nossa alegria". Hoje a febre da família alegre baixou, é o que me serve de consolo. Tanta gente com boas idéias que desistem de seus projetos porque não conseguem o apoio esperado nem de seus próprios amigos na maioria das vezes, e coisas como "para nossa alegria" ou "Stephanie absoluta no seu Cross Fox" estouram do dia pra noite. É como diria Nei Lisboa, "cada povo tem o novo que merece". A música, ou o "mercado" em proporções massivas não são as primeiras nem as únicas coisas questionáveis no Brasil. Espero ter demonstrado claramente o quanto acho que as formigas estão superiores a nós humanos, ao menos nesse aspecto. Por isso não conseguimos mudar certos políticos por ai, alguns partidos menores usam de um radicalismo ou utopia tão surreal que acham mesmo que os operários de 2012 vão fazer funcionar a receita de bolo de Marx, do século XIX ao infinito e além. Mas enfim, não falemos de política em ano eleitoral, senão posso ser acusado de apoiar ou falar mal de algum candidato só porque a primeira coisa que lembro quando penso no Elmano, Roberto Cláudio, Marcos Cals, Inácio, Valdeci Cunha, André Ramos (ah infeliz pra ter logo meu nome), Gonzaga, Moroni e Heitor Férrer como prefeitos de Fortaleza é "Ave Maria 'trêis vêis', Ave Maria 'trêis vêis', Ave Maria 'trêis vêis".

Assistindo ao jogo Brasil x México, na final das Olimpíadas de Londres, me veio a lembrança de um determinado mês de férias que tive, não lembro se julho ou janeiro, no qual participei de uma colônia de férias. Uma das atividades era competição de futsal. Montei um time com meus primos e um amigo. Eu não jogava nada, pra não dizer que sou de todo ruim, ao longo de meus 24 anos eu posso dizer que já fiz 1 (um) gol. Tendo em vista essa informação, podemos juntos nos perguntar que diabos eu queria fazer ali. Resposta, eu tinha um par de luvas de goleiro e só tinha usado até então em casa, brincando com meus primos, nunca em um jogo de verdade nem em uma quadra ou campo de verdade. A luva fez o goleiro, o time e a derrota. Perdi as contas de quantos gols eu levei em menos de cinco minutos. No segundo tempo troquei com um primo. Não fizemos nenhum gol mas pelo menos desde então não frangamos mais. Era o motivo errado pra montar um time, acho que pude concluir que o hábito não faz o monge, muito menos a luva faz o goleiro. É como um casal como alguns que conheço que tiveram de casar por conta de uma gravidez não programada. Um dos casais hoje não está mais junto. Era realmente pra ser? Filho é motivo pra casar? Um par de luvas é motivo para fazer um time? Puro egoísmo (de quem fez uma criança sofrer uma separação pré-fabricada ou de quem usou 5 pessoas para satisfazer um desejo de usar as luvas)?

No entanto, buscando enxergar o outro lado da moeda, Humberto Gessinger nos diz que "um par de olhos, um por de sol as vezes faz a diferença" e ainda "artifícios que usamos para sermos ou parecermos mais reais". Explico! O que fazer quando "quem importa não se importa"? O que fazer quando caem ou simplesmente faltam os números de visualizações de um blog ou um vídeo, ou o que fazer quando pessoas te dizem, pô legal curti, escreva mais, toque mais, escreva toda semana, não deixe de fazer sua arte e depois viram as costas, esquecem de vir toda semana ou não te escutam quando você canta? Cazuza diz em uma música muito intensa "quando eu estiver cantando não se aproxime, quando eu estiver cantando fique em silêncio, quando eu estiver cantando não cante comigo". Embora eu pareça estar "reclamando" de atitudes como essa, de ninguém cantar minha música ou algo do tipo, compreendo bem essa música, pois pra quem compõe a música é "quase uma oração" e exige uma certa devoção. Nem sei se devoção é a palavra certa, mas quem canta quer ser no mínimo ouvido, e quando te pedem canta e depois a última coisa que fazem é te ouvir cantar, a vontade que tem é adotar essa atitude do Cazuza, exigir silêncio, atenção. Infelizmente o que acontece muito para os anônimos, meros mortais, é o contrário, ao invés de se exigir silêncio, silencia-se. Em que artifícios poderíamos nos agarrar quando se pensa que motivo nos convence a continuar? Uma luva, um filho, um par de olhos, um por de sol, um sentido escondido nas tuas próprias palavras, um primeiro acorde de canção?

Mestre Raul dizia que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, mas não esqueçam que no final de contas quem se da mal e precisa de ajuda é a cigarra!

PS1: Para bom entendedor...

PS2: Essa postagem pode ter um tom meio dor de cotovelo, mas há fantasmas que precisam ser libertos.

PS3: A postagem de que falei no início do texto é essa: "Post Scriptum"


Um comentário:

  1. Acho q nunca fui muito fã das formigas por causa da ordem tão precisa delas, q me causa uma certa aversão, apesar de não negar que ela serve a um propósito.
    Ae saindo do campo das metáforas (na verdade nem tanto) e indo pra prática e pros exemplos. Qual é o motivo certo pra montar uma banda, um time ou um grupo de culinária? O que define se o motivo foi bom, é o fato de no fim das contas (aliás, alguém me diga, quando diabos fica esse fim das contas? seria quando acaba o grupo? e as bandas q atingem a repercussão de suas mensagens apenas após o fim, como fica?) atingir um objetivo esperado? Seria pelo prazer da jornada? Qualquer outro motivo? Nenhum motivo?
    A banda q eu toco hoje nasceu por alguns motivos, um deles era a vontade de entrar em um estúdio e tocar as músicas pelas quais eramos e somos tão fascinados. O outro, era (e é) buscar uma forma de união entre um grupo de amigos que devido aos caminhos escolhidos, estavam a uma distância bem maior do que a que gostariam. Seria esse o motivo fundamental e correto? Pode ser q cada um tenha sua resposta. Dentro do mesmo grupo cada um pode integra-lo por seus próprios motivos.
    Indo pro caso da banda, por que, por quem tocamos? No caso de uma atleta olímpico, por quem ele treina e luta/joga/corre/... ? É pelos amigos, é pela nação, é pelo público? E quando estes personagens não estão presentes, o que/quem te mantém em pé? seria fé que eles vão voltar? seria algo mais? Ou talvez, bem talvez, seja algo em você desde o início, algo pessoal, que te fez lutar todo o caminho, e todo o apoio e reconhecimento que você teve, foi parte essencial disso. Parte, não o todo. Essencial, não efêmero.

    ps: Rah, sou o "brother Rafael" :p

    ps²: Pode ter sido o primeiro acorde da canção, pode ter sido a companhia dos amigos, pode ter sido a união no palco. Eu não sei o que foi, mas funcionou incrivelmente bem.

    ResponderExcluir