domingo, 29 de setembro de 2013

Em um universo paralelo próximo a você...


... Francisco João Bruno Alexandre, típico cidadão da high society Fortalezense, daqueles de berço mesmo que trazem consigo o nome da família a gerações e gerações, estava a caminho da empresa em que era subgerente-diretor-presidente ou qualquer outra coisa ou função que estivesse abaixo de seu pai. No caminho parou seu humilde fusca (New Beetle, claro) em um cruzamento da cidade famoso pelas abordagens aos motoristas. Logo começou a pensar e destilar comentários ácidos em sua solidão ar-condicionada.

Sua indignação é por um lado compreensível, afinal de contas motoristas de qualquer classe social dirigem por toda a cidade e por toda a cidade dirigem com medo! A violência urbana está um caso sério. Aos poucos, dentre os minutos que demoram meia hora para passar sem o semáforo esverdear, sua revolta começa a dar lugar a um pensamento um pouco mais nobre e Francisco João Bruno Alexandre começa a refletir sobre as desigualdades sociais que (o permitem estar aonde está) tornam possível a necessidade das pessoas que se obrigam a trabalhar e se humilhar nos sinais de Fortaleza com o sol de rachar o inferno em três que temos em nossa cidade.

E continua o pensamento refletindo que trabalhar em um sinal por si só não é tão humilhante, o humilhante é ter que se virar em 30, "sangue, suor e óleo diesel", "a lágrima doída do ídolo caindo em câmera lenta". Geralmente são médicos e advogados que se submetem a estas condições abordando motoristas nos sinais ou fazendo amostras de suas habilidades. Por vezes equipes médicas inteiras com o desafio de montar a maca e os aparelhos de um centro cirúrgico, fazer um procedimento de alta complexidade no indivíduo que pela sorte no palitinho ficou encarregado do papel de paciente, desmontar tudo, mostrar o cara "costurado" e ainda sair entre as filas de carro pra ver quem arrecada alguma moedinha e tudo isso enquanto o sinal não abre. Admirável a habilidade que eles acabam adquirindo, mas onde fica a dignidade, não digo nem destes profissionais, mas digo destas pessoas... lamentável o que a pessoa é obrigada a fazer por conta da necessidade...

Pior é a situação dos advogados, pois estes são os que chegam bem perto de você, te forçando a fechar os vidros. Eles vem desesperados pra defender sua causa sem nem saber qual é, e diante de tantos dedos balançando negativamente pra eles antes ainda deles fazerem a abordagem eles acabam até fazendo com que você aceite alguns conselhos jurídicos na marra. Eles usam uma lógica do tipo "cartão de fidelidade", você leva o conselho agora e na próxima passada pelo local dá uma moedinha. Pelo menos acreditam na eficácia do trabalho deles, pois difícil é receber a moedinha na volta.

Opa, o sinal abriu! Nosso personagem vai ter que seguir viagem. Enquanto ele pisa na embreagem e engata a primeira ele pensa: coitados, que Deus dê a eles uma vida de artista!

domingo, 22 de setembro de 2013

Mundo globalizado

Tenho a curiosidade de sempre estar conferindo as estatísticas de acesso, origem e perfil do público do blog e da página do Tocando em Frente. Aqui no blog sempre me chamou a atenção o fato de acessos internacionais, desde o início do blog, passaram por aqui internautas dos seguintes países além do Brasil: Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Ucrânia, França, Israel, Hungria, Chile e Portugal. E não é coisa de uma visitinha perdida na vida, da Alemanha, por exemplo, tenho 96 acessos e dos EUA, 466. Já demonstrei aqui em outras postagens o quanto tenho curiosidade pra saber quem são as pessoas que movem os contadores, em se tratando então destes visitantes estrangeiros que (aparentemente) sempre retornam, a curiosidade dobra. Coisas de um mundo globalizado...

Revendo as estatísticas essa semana, me ocorreu um pensamento. Domingo passado consegui depois de mais de dez anos ter de volta o CD Tchau Radar, dos Engenheiros, completando novamente minha coleção. Resumindo rapidamente como perdi o primeiro, numa época em que eu era um bom moço de comunidade católica, deixei todos os meus CDs pra uma prima, ela vendeu; depois que deixei de ser de comunidade (pois bom moço ainda sou, haha) consegui comprar todos, menos o tchau radar que saiu rapidinho de catálogo. Consegui comprar o novo CD por intermédio da mesma prima. O preço foi o preço de uma raridade, mas estava comprando com uma pessoa de confiança e vi que o CD estava em perfeito estado de conservação, tipo os meus se, por um momento de muita insanidade eu os vendesse, o comprador iria receber produtos que poderia considerar novos. Fiquei pensando então por que mãos (ou mão) cuidadosas (ou cuidadosa) meu novo Tchau Radar passou antes de chegar a mim, certamente passou por algum fã de fé que tinha dois e resolveu pegar uma grana no CD aproveitando seu estado de raridade.

Enfim, a ideia que me ocorreu foi a de tentar descobrir os caminhos que meus CDs Tchau Radar, o primeiro e o atual, percorreram, aproveitando a abrangência que só a internet deste nosso mundo globalizado proporciona. Sempre tive a curiosidade de saber aonde foi parar meu primeiro TR, comprado por R$ 15,00 em uma revista da Avon. Se esta postagem for compartilhada, acessada pelos confins da www, quem sabe não aparece o feliz possuidor de um TR que um dia foi meu. A menos que o tenha vendido, suponho que a pessoa seja de Fortaleza mesmo. Dica pra identificar o CD: Em algum cantinho do encarte eu escrevi meu nome de caneta (pra quem não sabe: André).

A sorte esta lançada com maior probabilidade de encontrar o destinatário final que uma carta lançada ao oceano dentro de uma garrafa. "Mapas e bússolas, sorte e acaso. Quem sabe do que depende?"

com cara de besta curtindo o novo Tchau Radar domingo passado

domingo, 15 de setembro de 2013

Contramão



Com 25 anos "nos côro" tenho reparado que estou meio na contra-mão do ritmo de vida que a vida (moderna) impõe. Cheguei a esta conclusão (?) observando alguns amigos. Não que eles estejam errados e não que eu esteja errado, mas tem coisas que realmente paramos pra comparar.

Exemplo... Desde 1999, quando reunia uns primos nas tardes de sábado e ficávamos "brincando de Engenheiros do Hawaii" em casa ao som do Alívio Imediato ou do 10.000 Destinos que pensei em deixar o cabelo crescer pra imitar o Humberto. Decepção à vista, meu cabelo era enrolado e não ficaria nem de perto parecido com o do HG. Hoje, enquanto alguns dos meus amigos cabeludos estão cortando os cabelos, estou caminhando para completar um ano sem cortar, assumindo os cachos que Deus me deu e já estranhando fotos com o cabelo curto.

Dizem que quando se casa engorda, no meu caso estou emagrecendo.

Mas o que mais me faz pensar é a vontade de fazer algo com minhas músicas. Banda autoral é coisa que cheira a adolescente e hoje quando a vida pede outros planos eu estou embarcando nessa. Já tive uma, a WAR, já falei dela por aqui. Hoje não tenho banda que "trabalhe" com músicas próprias apesar de já ter sido convidado pra algumas, recusei pois se tenho que me dedicar a algo de alguém, posso me dedicar a algo meu. Esse é outro ponto que me faz pensar se estou ou não na contramão. Encontrar pessoas que comprem a tua ideia, que estejam sintonizadas na mesma frequência que você e topem dar prosseguimento a uma iniciativa que a priori era individual é algo difícil, até porque as pessoas podem estar andando na mão certa da vida. Não que elas estejam erradas, não que eu esteja errado... Pelo menos nesse quesito, um amigo, fiel comentador deste blog, diga-se de passagem, aceitou depois de algumas indiretas e uma direta certeira, ser parceiro no Tocando em Frente. O formato? Não sabemos, mas descobriremos. Este jovem que se arrisca agora na contramão é o Rafael de Mesquita, ou Rafael K pra quem procurar por ele nos comentários das postagens daqui.

Bom, sei que se também não fizesse certas escolhas que, mesmo me deixando inseguro para segui-las, eu faço, ai sim eu estaria errado pois estaria em uma contramão que me indicaria que ali não seria eu.

Seguindo a lógica de que algo publicado ajuda a ter compromisso com coisas que se pretende, fica nesta postagem a vontade (e o compromisso?) de seguir um pouco na contramão da vida.

domingo, 8 de setembro de 2013

Tocando em Frente

Finalmente sai da vontade e da promessa e postei o primeiro vídeo para a página TOCANDO EM FRENTE. Para quem não souber do que se trata, esta é uma página que criei no Facebook para reunir amigos e simpatizantes da música que faço justamente para divulgá-las. Desde 2005 que componho, tive uma banda durante a faculdade, a WAR, já falei dela por aqui, e foi no curto período de existência desta banda o único momento que me dediquei a fazer algo com minhas músicas. Foi um dos momentos mais criativos em termos de composição também.

Com a Guardas da Fronteira parada, e depois de um ano e meio fazendo uma pós-graduação que me roubava o tempo que eu poderia estar dedicando a música, senti a necessidade de pegar aquelas dezenas de canções e dar a elas algum espaço e oportunidade maiores do que elas teriam em folhas de um caderno fechado, amarelando suas páginas. Tocando em Frente foi somente uma desculpa, um meio, um primeiro passo pra começar a divulgar. No que vai dar, não sei, mas sei que a música é parte importante de mim, fundamental, por isso seja pra um dia "dar em algo" ou para curtir com amigos, ai está, o Tocando em Frente.



PS: Na época em que a WAR ainda estava sendo gestada, eu  meu parceiro de composições, Augusto Ridson, nos reuníamos nas sextas-feiras pela manha na sala de convivência da reitoria da UFC para tocar, já que lá tinha um piano de cauda. A canção Olhar Negro nasceu em uma dessas sextas-feiras, mais precisamente no dia 08 de junho de 2007, neste piano mencionado, fruto de um generoso atraso do Ridson. Valeu a pena o atraso.