domingo, 1 de junho de 2014

#4HappyMonths

Estar diante de 40 crianças/adolescentes (principalmente no último caso) pela primeira vez não é algo fácil! Ver que 40 pares de olhos estão de bituca em você sem saber o que passa pela cabeça daquelas enigmáticas criaturas é uma sensação de assustar.

Por diversas vezes já estive nessa situação. Já houveram casos em que olhares de fuzilamento me fuzilaram o ano todo, já houveram casos em que olhares de "você chegou no lugar do meu professor querido" se tornaram olhares de lágrimas soluçadas quando eu fui embora.

Ir embora, outro fenômeno a ser estudado na relação professor/aluno. Na normalidade se tem a certeza de que por um ano você vai ter aquela pessoa toda semana ali. Se gostar dela, toda semana um encontro bom, se não for com a cara, toda semana uma encheção de saco. De toda forma cria-se uma rotina e se tem algo que as vezes é difícil se ter na rotina de um professor é o reconhecimento de seu trabalho. Normal até, já que por vezes estamos ensinando algo que para quem não quer e ainda temos de tentar manter certa ordem, por outras vezes ainda aplicando medidas disciplinares. Mas faz falta, isso faz.

No primeiro semestre deste dito ano de 2014 tive algumas boas experiências que me ajudaram a pensar e repensar minha prática docente. Uma delas, para lembrá-la e registrá-la aqui (não poderia não fazê-lo) foi minha breve estadia no Mário Schenberg. Tendo apenas 2 turmas (já tendo todas as turmas da escola) por onde eu passava ouvia o carinhoso vozerio "ó o André", "volta fessor"! Coisas muito boas de se ouvir, pena que no caso de alguns eu tive realmente que ir para que fosse querido de volta. Quando finalmente deixei a escola, fui aplaudido nas salas em que passei pra me despedir, isso me deixou muito envaidecido e certo de que apesar das adversidades da carreira docente eu estava trilhando um caminho certo. Deixo aqui um grande abraço a todos meus alunos do Schenbergão! E com certeza um abraço maior ainda aos amigos que fiz lá, dentre os quais Gadelha, Rosimeire, os irmãos Geovane e Yury e os grandes professores com quem tive prazer de trabalhar.

Agora chegando aonde se queria chegar... Se deixei uma escola, em alguma outra devo estar chegando, essa outra foi a Escola da Polícia Militar do Ceará! Poxa, escola militar, primeira brincadeira que ouvi nas despedidas foi "não podemos dizer mais nem que nos vemos nas greves da vida", sinais de que as coisas seriam bem diferentes! #medo

Penei, penei muito pra me adequar ao ritmo da CPM e principalmente a me acostumar com o fato de ter superiores militares. Isso foi realmente algo novo pra mim e não saber exatamente o que era esperado de mim, passei um período de grande estresse pessoal, refletindo até na saúde pra tentar encontrar meu lugar por lá. Claro que a parte em que eu recebo as recomendações básicas e as normas das escolas aconteceu e claro também que dentro dessas recomendações, a disciplina era algo muito importante. 

Acima de tudo sendo eu, no começo fui um tanto duro em certos casos, hoje poderia repensar um pouco mas não faria muita coisa diferente. O desafio maior ainda eram os olhares atentos a minha pessoa, principalmente quando semana após semana os olhares ficavam mais enigmáticos. Nunca fui professor "showman", até admiro quem consegue ser, mas acho que a educação merece mais, sempre fui mais quieto pois sou assim, sou eu, "se eu fosse um cara diferente, sabe lá como eu seria". Essa característica fazia com que começassem a aparecer as primeiras cabeças baixando e dormindo, as primeiras "viradas pra trás" pra conversar e (ainda bem) os primeiros olhares atentos. Comecei a ver quem curtia minhas aulas, mas ainda assim eu tenho que dar conta de 40, não de 4 (proporção meramente figurativa). 

Acho que muitos alunos e igualmente alguns coordenadores pelos quais já passei devem me achar besta. Os coordenadores por achar que eu sou bonzinho demais e os alunos não me respeitam e os alunos, bom, os alunos pelo mesmo motivo. Mas como comentei um pouco acima sou eu, não sei ensaiar ser um professor diferente e adotar uma atitude em sala de aula que não condiz com a pessoa que eu sou na realidade. Novamente, se pros 36 sou besta, pros 4 que conseguem captar a ideia fica uma relação que dura, tanto que milhares de anos depois, alguns alunos ainda me vem no Facebook tirar dúvidas ou pedir conselhos sobre as coisas da faculdade. Ponto pra mim.

De toda forma os sinais estão no ar e é preciso perspicácia para sintonizá-los, geralmente eles surgem quando e como menos se espera. O primeiro sinal que recebi veio no fato de não terem ligado o ar-condicionado de uma sala de aula, o 3ºB. Era um dia de chuva e estava meio abafado, quando pedi ao Bentemuller que chamasse alguém para ligar o ar da sala ele me deu o toque que o professor da sala vizinha havia chamado os alunos pra fora e perguntou se eu não gostara de fazer o mesmo. Dei uma olhada na porta e realmente lá estavam professor e alunos no corredor. O primeiro pensamento foi "vixe, e agora?" De toda forma eu tinha alguém pra culpar, era só o novato (eu) dizer que vi o professor veterano fazer e achei que também podia. Apesar de alguns olhares "estranhativos" para os alunos e professores no corredor, terminei de ministrar a aula de filosofia la com um ótimo clima de chuva.

O melhor veio depois, vi no Face da Rebeca uma foto tirada durante a aula em que tinha entrado para uma série de #100happyDays dela. Foi o primeiro sinal! Desde então tive vontade de escrever algo a respeito, mas esperei o momento certo que apareceu agora. Como saber que é o momento certo? Não sei, apenas sei!


Outro fato que contribui para ajudar no processo de encontrar meu lugar foi o fato de 6 alunos (duas equipes) terem me convidado para orientá-los na Olimpíada Nacional de História do Brasil. Poxa, tantos professores que eles tem desde o fundamental (em alguns casos) e eu que cheguei agora estou recebendo esse convite! Muito lisonjeiro =) Aproveito o momento para registrar aqui a experiência boa que foi orientar a equipe "Que história é essa?" madrugadas a dentro via Skype (a outra equipe não conseguiu confirmar a inscrição)! Toin, Benter e Otto, realmente grandes garotos que além de inteligentes tem opinião própria e crítica! serão (já são) grandes pessoas! =)


Semana vai, semana vem, e de repente vejo piratas correndo nas dependências da escola! Era uma das badaladas NAs (avaliações) do grande mulato médio professor Daniel Azevedo (biologia). Começaram as comparações, começaram alguns comentários (direta ou indiretamente) que me faziam sentir diminuído,  e com a pressão do adequar-se a um colégio militar fez com que fosse o período mais difícil. A "pirataria" ajudou a abrir espaço pra puxar um assunto aqui acolá com o prof. Daniel, compartilhei algumas ideias que já tinha, porém guardadas ainda, sobre métodos inovadores de avaliação. Aproveito para deixar registrado aqui a admiração que tenho por suas ideias e sua dedicação, Daniel. Com certeza muitos professores tem a aprender com suas práticas! =)

O segundo sinal, então veio no 3ºE. Durante uma aula de filosofia também, um aluno pediu a palavra para ensinar o tema da aula para turma Eis que o Gurgel senta na mesa e começa a falar e cai nas graças da turma. Foi ai que eu pensei: quer saber vou jogar a bola pra eles. Comecei então a propor mais atividades de interação e de maior protagonismo dessas crianças! Ainda a passos lentos mas o negócio começou a mudar, até que então veio a NA das tribos, avaliação que fiz apenas no 3º D e E por serem os dois terceiros que dou aulas de sociologia. Geral das minhas outras turmas do médio chegaram meio que enciumadas dizendo que eu só passava NA legal no D e no E, rsrsrs. Foi ai que eu vi os primeiros daqueles olhares mais enigmáticos e daqueles rostos mais fechados chegarem demonstrando um semblante mais amistoso. 

aula do Gurgel


tribos 3ºE

tribos 3ºD
Agora sim, a partir daí as coisas começaram a mudar. Não sei explicar muito bem, mas era recíproco, daqui pra lá e de lá pra cá as atitudes iam mudando. Foi nessa época que ganhei mais turmas no fundamental, por ter saído do Mário Schenberg e ter concentrado minha carga horária toda na Polícia. Os novos alunos de cara falavam que gostaram de mim, por que eu não cheguei antes, porque eu não ensinava mais matérias como nos terceiros (que chego a ter até 3 disciplinas por turma) e os colegas das salas vizinhas chegando pra comentar por que eu também não fui ensinar na sala deles! Muito, muuuito lisonjeiro também, porém há o outro lado de um professor que por motivo X ou Y não está sendo bem aceito pela turma e isso não é legal =/. Agradeço imensamente o carinho, mas desejaria ser possível não haver tais comparações onde um é apreciado enquanto outro é depreciado. Daí lembro do reconhecimento, que é raro em grande parte do ofício do professor. Independente do jeito de cada um ensinar, ou ser, cada professor (dentre os bons profissionais que conheci) prepara sua aula com bastante atenção e dedicação ao seu aluno!

Vieram também as "disputas da discórdia" com um velho conhecido jogo da minha infância e da dos alunos, o telefone sem fio, que ajudou a fazer sorrir mais rostos que ainda resistiam. Mais uma vez, jogando a bola para os alunos, deixando com que eles se expressassem mais livremente o retorno foi melhor! As apresentações de mais NAs dando asas a criatividade foram ÓTIMAS! Teatro de dedoches, casos de família, CSI, The Voice Brasil, Todo Mundo Odeia o Chris, Dragon Ball Z, Chaves, Mulheres de Areia, Hermanoteu na terra de Godah, Avenida Brasil, Como conheci (entorpeci) sua mãe, De Frente com Gabi e tantas outras apresentações proporcionaram um ótimo clima em sala e memórias afetivas que, com certeza, ajudarão na apreensão do conteúdo. Até meu lado feminino foi despertado, agora tenho um codinome no submundo da filosofia: Alethéia, prazer =* !

No entanto deixo uma ressalva, disciplina e liberdade, brincadeira e seriedade, contrastes tênues que exigem um equilíbrio difícil de se alcançar. Tive excelentes resultados de alunos que, confesso, talvez nem esperasse tanto, mas o nem esperar tanto vem de uma impressão do dia a dia, da rotina. O estudo é uma batalha que deve ser vencida nesses dois campos de guerra: um deles é mais fácil que é quando temos momentos como os que vivemos nesse final de maio, o outro, mais difícil é o dia a dia. Participem! Quem faz a aula melhor são vocês, não eu!

Termino lembrando de quem não falei muito, os pequenos, ELÉTRICOS, e carinhosos do 6ºC e os novos chegados dos 7ºs e 8ºs. É um desafio muito bom ensinar vocês! =)

A txurminha agitaaaaada, porém cheia de gente boa, 1ºC. =)

E os querid@s do 2ºD que fecham sempre minha semana com chave de ouro, turma que está no TOP das minhas turmas do CPM =), destacando aqui nossa sonoplasta oficial, Rizia, e as meninas super poderosas que se garantem, Rebeca, Thayanne, Kauane, Kalyne, Clayde, Amanda, os garotos Gibson, Felipe, TODOS, vou nem mais citar pois não quero deixar ninguém de fora. Gosto muito de vocês 2ºD.

Se me prendi um tanto mais aos terceiros é porque foi um grande desafio aceito ser professor dessa galera, algumas turmas foi mais "amor a primeira vista" =P.

Tanto falei, tanto ficou pro falar, tanto ficará pra se viver pra falarmos mais e mais nos dias que se seguirão quando tudo isso acabar! Até lá estamos juntos! E eu começo a contar meus dias no CPMGEF, por enquanto #4HappyMonths e que venham mais!

=)

Sabrina 1ºC que já vai alçando outros vôos! Boa sorte! =)

2ºD =)

Meninas Superpoderosas 2ºD

Dragon Ball A

Queridos do 3ºB

Queridos do 3ºC

Isabelle 3ºC =)

3ºC

3ºC

3ºC - "alegria compartilhada é alegria redobrada" (Suyanne)

3ºD Divas da Filosofia

3ºE Telefone sem fio da discórdia 

Alethéia desfilando na escola

as mães da Alethéia =)